Ao Studio Arthur Casas, já interessava a ideia de trabalhar em um projeto residencial de alto padrão em Porto Alegre quando surgiu o convite da Melnick para o arquiteto e designer Arthur Casas e sua equipe passarem a integrar o time de projetistas do Teená. O empreendimento é o primeiro da capital gaúcha a levar a assinatura do renomado escritório de São Paulo, também presente em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
O fator determinante para a aceitação do convite, de acordo com Casas, foi ter ido conhecer o lote do empreendimento.
“O terreno é fantástico, belíssimo! O lugar é ótimo, tem enorme visibilidade e um respiro muito grande”, enaltece o arquiteto.

A partir de então, a principal preocupação da equipe foi pensar em um projeto que fosse agradável não apenas para os futuros moradores do Teená, mas também para os demais residentes e frequentadores da região.
“Queríamos fazer esse prédio de uma forma mais fluida e amigável. Foi assim que surgiu a ideia de criar os brises mais escuros, nessa tonalidade de madeira, que é um material mais orgânico, e usar muita vegetação. Ou seja, criar um prédio que, na verdade, agregasse ainda mais qualidade à vizinhança”, conta Casas.

Diferentemente da maioria das situações, o Teená tem quatro fachadas claramente visíveis. Além da questão estética de criar uma fachada mais homogênea e uma volumetria imponente e elegante, os brises são elementos que servem ainda para garantir privacidade dentro das unidades do empreendimento. “Optamos por fazer um jogo de mescla de brises horizontais e verticais que acredito terem gerado uma situação bem interessante para a fachada”, declara o arquiteto.
Semelhante à pintura dos brises, o concreto aparente do Teená também remete à madeira devido às suas réguas selecionadas e o uso de uma tonalidade mais quente do que o cinza convencional do material, conferindo um visual mais orgânico a toda estrutura do prédio.
“Através da pigmentação, conseguimos ‘aquecer’ o concreto. É uma forma de garantir um visual mais natural e menos urbano”, esclarece Casas. “Acredito que materiais orgânicos e naturais trazem uma relação de afetividade com o lugar.”

Ao encontro dessa proposta, a presença exuberante da vegetação em todo o percurso, da portaria ao elevador, foi outro foco do projeto igualmente bem-sucedido. “Estar dentro de um jardim é totalmente diferente de chegar em um hall fechado, sem personalidade. No Teená, você sente toda aquela vegetação que está ali fora”, expressa o arquiteto.
“Acredito muito na arquitetura não só como volumetria, mas também como percurso. Por isso, quando elaboramos as plantas, seja de um edifício, residência familiar ou de um escritório, pensamos muito sobre o trajeto das pessoas, por onde elas irão passar, quais caminhos vão fazer para chegar a um determinado lugar”, comenta Casas.

Nascido em São Paulo e formado pela Universidade Mackenzie da capital paulista na década de 1980, Casas considera ter criado um repertório de influências bastante vasto. “Toda minha escola é modernista brasileira, sobretudo paulista, que tem essa linguagem mais do concreto, mais minimalista. Mas, é claro, que esse caminho, hoje, é mesclado com a arquitetura contemporânea mundial, que se converge em uma língua só praticamente”, diz o profissional.
Para ele, o traço mais marcante da arquitetura brasileira, já muito reconhecida internacionalmente, é a relação entre interno e externo. “Dentro e fora é uma coisa só, precisa conversar entre si. Isso é muito raro na arquitetura ‘de fora’. São volumetrias lindas, mas as áreas internas e externas raramente se conversam. Essa é uma característica da arquitetura brasileira”, afirma.
Responsável ainda pela curadoria de interiores do Teená, o arquiteto e designer, que também cria e assina peças, costuma ser bastante criterioso na hora de selecionar os materiais, móveis, tapetes e tecidos que irão compor os ambientes. “É a busca pelo equilíbrio e harmonia, é sensorial. Queremos sempre fazer com que a vida das pessoas melhore. Essa é a nossa principal procura”, reflete Casas.

Seu processo de desenho de mobiliário surgiu, segundo ele, para atender suas próprias necessidades. “Minhas peças são desenhadas quando não consigo encontrar no mercado nada que tenha aquelas características. São peças que eu sinto falta. Não desenho só para ter um produto a mais”, justifica. “Comecei a trabalhar 40 anos atrás e sempre fui, além de arquiteto, designer de móveis e interior designer também. Sempre preguei a questão de trabalhar com todas as escalas. Para mim, é algo muito natural”, conclui Casas.
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Fotos: Bob Wolfenson / Divulgação Arthur Casas
Entrevista concedida à Interna Projetos Editoriais. Texto publicado no book do empreendimento Teená, da Melnick.

