ANÚNCIO

ESG

Certificações ambientais e a transformação dos padrões da construção

A construção civil vive um momento de intensa transformação devido às mudanças climáticas, novas exigências ambientais e regulatórias. Em meio a uma sociedade cada vez mais consciente e exigente, o setor tem revisto práticas tradicionais e adotado novos padrões de desempenho e qualidade. Nesse contexto, as certificações deixaram de ser vistas apenas como diferenciais técnicos para se tornarem instrumentos estratégicos de mudança, responsáveis por orientar as melhores práticas, elevar padrões de qualidade e promover maior eficiência, sustentabilidade e transparência nos empreendimentos.

Esse avanço colocou a pauta em prioridade para a construção civil, já que as certificações influenciam diretamente a competitividade, a atratividade para investidores, o posicionamento e a reputação da marca, assim como a redução de riscos ao longo do ciclo de vida das edificações. Além disso, estimulam a inovação e a adoção de novas tecnologias e soluções mais eficientes, alinhando o desenvolvimento do setor às demandas de desempenho, responsabilidade ambiental e valor de longo prazo.

 

Selos que certificam o compromisso ambiental

Em conversa com o portal Imóvel Capital, a arquiteta e urbanista Joana Giugliani, fundadora da consultoria estratégica em sustentabilidade Bgreen e profissional de Global Reporting Initiative (GRI), explica que existem certificações mais abrangentes e completas e outras mais focadas. “Dentre as abrangentes, a LEED desponta e é a mais reconhecida internacionalmente. Por isso, muitas empresas e empreendedores que buscam visibilidade externa, optam pela LEED”, relata ela.

Além da LEED, as certificações de sustentabilidade mais em evidência atualmente são AQUA-HQE, EDGE, Procel, GBC Casa e GBC Condomínio. O papel delas é fornecer parâmetros e métricas para verificar o desempenho ambiental de um projeto. Conheça e entenda melhor as diferenças entre elas:

 

LEED – Leadership in Energy and Environmental Design é o sistema de classificação de edifícios verdes mais utilizado no mundo. Criada em 1993 pelo U.S. Green Building Council (USGBC), nos Estados Unidos, a certificação é adotada mundialmente em mais de 160 países, sendo uma das mais reconhecidas para construções verdes e eficientes. No Brasil, a organização responsável pela emissão da LEED, entre outras certificações, é a Green Building Council (GBC).

“Uma vez adquirido, o selo LEED permanece válido enquanto o edifício mantiver suas características originais. A não ser o LEED Operação e Manutenção, que precisa ser renovado a cada três ou cinco anos, dependendo da versão”, esclarece a profissional.

 

A AQUA-HQE™ foi desenvolvida a partir da certificação francesa HQE™, com base em padrões alinhados às exigências globais de desenvolvimento sustentável e aplicada no Brasil exclusivamente pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini. A fim de garantir sua adequação à realidade brasileira, os critérios da certificação foram adaptados e desenvolvidos pela Fundação em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), incorporando característic0as locais como condições climáticas, aspectos culturais, normas técnicas e exigências legais.

O principal diferencial da AQUA-HQE™ está na tradução das normas, que dispensa a solicitação de substituições. É uma tradução mais bem feita”, destaca Joana.

 

Criada em 2015 pela International Finance Corporation (IFC), parte do Grupo Banco Mundial, a EDGE – Excellence in Design for Greater Efficients é uma solução global para construção sustentável que certifica diversas tipologias de edifícios. Usado em mais de 100 países, o sistema reúne arquitetos, incorporadores, instituições de financiamento verde e formuladores de políticas. Ao promover a colaboração em toda a cadeia de valor, facilita o acesso a materiais de construção ambientalmente amigáveis e projetos de edifícios com emissão zero de carbono, criando valor a longo prazo a todos os participantes do ecossistema da construção verde.

“Por ser uma certificação apoiada pelo Banco Mundial, vários bancos já têm uma série de recursos e financiamentos vinculados a empreendimentos que certificam pelo EDGE. Abarca três categorias: água, energia e carbono incorporado. É mais enxuta e acaba sendo mais econômica também”, afirma a consultora.

 

Voltado especificamente à eficiência energética, o Selo Procel Edificações é um reconhecimento voluntário criado em novembro de 2014 pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). Aplicada tanto na fase de projeto quanto na etapa em que o edifício já está construído, a certificação visa identificar e destacar edificações que alcançam os melhores níveis de eficiência energética em sua categoria, incentivando o mercado a projetar, construir e utilizar prédios mais eficientes no consumo de eletricidade.

“É uma certificação bem focada. A etiqueta nacional de eficiência energética já é obrigatória para todos os edifícios federais e, aos poucos, será também a todos os demais”, observa Joana.

 

GBC Casa é a certificação do Green Building Council Brasil (GBC Brasil) direcionada exclusivamente a residências unifamiliares. O programa orienta projeto e obra a partir de critérios de sustentabilidade adaptados à realidade do mercado residencial brasileiro. São considerados fatores como implantação, água, energia, materiais, qualidade ambiental interna e requisitos sociais. A verificação é realizada por auditoria independente e o desempenho é reconhecido por níveis de certificação conforme a pontuação alcançada.

 

Já a GBC Condomínio é a certificação do GBC Brasil para empreendimentos residenciais, que orienta a adoção de práticas sustentáveis do projeto à operação. São avaliados critérios como água, energia, materiais e resíduos, biodiversidade e poluição, saúde, segurança e qualidade, mudanças climáticas e governança. A verificação também é feita por auditoria independente e reconhecimento de desempenho ocorre em quatro níveis – Verde, Prata, Ouro e Platina –, promovendo eficiência, bem-estar e responsabilidade socioambiental.

“GBC Casa e GBC Condomínio são certificações nacionais muito boas para empreendimentos residenciais, com metodologia robusta e alinhada ao LEED e às melhores práticas internacionais de sustentabilidade, ao mesmo tempo em que se ajustam às especificidades técnicas, climáticas e de mercado do contexto brasileiro”, avalia a consultora.

 


 

Saúde, conforto e bem-estar como prioridades

Da mesma forma que as certificações de sustentabilidade, as de saúde e bem-estar também ganharam espaço e relevância, “principalmente após o período de pandemia”, evidencia Joana. “O confinamento trouxe essa visão de que precisamos estar em um ambiente saudável”, assegura a consultora.

Como os espaços de permanência impactam diretamente a saúde física e mental das pessoas, estar em conexão com o verde, luz e ventilação natural, conforto térmico e acústico passaram a ser ainda mais valorizados, tanto em ambientes residenciais quanto corporativos. Para atender as demandas desse cenário, as certificações mais amplamente reconhecidas e aplicadas no Brasil são as internacionais WELL, HBC e Fitwel, e as nacionais GBC Life e GBC Biodiversidade.

O programa mundial de certificação de edifícios saudáveis WELL conta com mais de 500 estratégias que, quando implementadas, buscam melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas. Qualidade da água e do ar, conforto térmico, iluminação, som e uso de materiais mais saudáveis são alguns dos diversos fatores considerados. O WELL trabalha em qualquer escala – desde um único espaço interno até uma organização inteira –, sendo aplicável a todos os tipos de ambientes em qualquer local.

 


O HBC – Healthy Building Certificate
– Selo Casa Saudável é um sistema de certificação para edificações residenciais e empresariais que incentiva o uso das melhores práticas em projeto e construção, com foco na promoção da saúde e do bem-estar de seus ocupantes. O HBC Institute é uma organização internacional com sede nos Estados Unidos e operação no Brasil desde 2014. Para a certificação dos edifícios são utilizados parâmetros baseados em estudos científicos ou diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Disponível para projetos novos e existentes, a certificação de edifício saudável da Fitwel está comprometida com ações e estratégias que impactam a saúde e o bem-estar das pessoas. Por meio de indicadores de desempenho adequados a diferentes tipologias de projetos, pode ser aplicada a áreas comerciais e industriais, comunidades, empreendimentos corporativos, residenciais multifamiliares ou de uso misto. Cada indicador prioriza um conjunto diferente de estratégias, de acordo com o que é mais relevante para o uso principal do imóvel e grupo de pessoas impactado.

 


O
GBC LIFE é o selo do GBC Brasil que reconhece ambientes construídos que promovam saúde, conforto e bem-estar. Com duas tipologias disponíveis – Interiores Residenciais e Performance Rating –, o programa avalia desde projetos em fase de obra até espaços em uso, considerando critérios técnicos mensuráveis que valorizam a qualidade de vida e a sustentabilidade, tais como iluminação, ventilação, ruído, temperatura, água e materiais utilizados.

 


Já o GBC Biodiversidade é voltado a promover a regeneração e preservação da biodiversidade na construção civil, incentivando projetos de paisagismo que priorizem espécies nativas, protejam ecossistemas locais e contribuam para a adaptação às mudanças climáticas.

 

Construção sustentável é sinônimo de benefícios para todos

Para as incorporadoras e o mercado, as certificações representam ganhos diretos, pois agregam valor aos empreendimentos, fortalecem a imagem e reputação das empresas e promovem diferenciação competitiva. Elas impulsionam a eficiência operacional, reduzem custos ao longo do ciclo do projeto, ampliam o acesso a mercados mais exigentes e facilitam a obtenção de financiamentos verdes, além de apoiar o cumprimento de requisitos regulatórios e metas ESG.

Para clientes finais e investidores, os benefícios se refletem em maior qualidade de vida, saúde, conforto e segurança, associados à qualidade superior dos produtos e serviços. Empreendimentos certificados tendem a reduzir despesas com consumo de água, energia e manutenção, ao mesmo tempo em que aumentam a atratividade comercial e a valorização do ativo no longo prazo, tornando-se investimentos mais resilientes e desejáveis.

Já para a sociedade, as cidades e o meio ambiente, as certificações representam um compromisso concreto com a preservação ambiental e o uso consciente dos recursos naturais. Ao incentivar práticas sustentáveis, contribuem para a redução de impactos ambientais, a promoção do bem-estar coletivo e o desenvolvimento de cidades mais equilibradas, eficientes e preparadas para os desafios climáticos e sociais do futuro.

 

CRÉDITOS
Fontes: Bgreen: somosbgreen.com.br
instagram.com/somosbgreen

U.S. Green Building Council (LEED): usgbc.org/leed

Fundação Vanzolini (AQUA-HQE™): vanzolini.org.br/organizacoes/certificacoes/aqua-hqe

EDGE – Excellence in Design for Greater Efficients: edgebuildings.com

Procel – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica: procelinfo.com.br

GBC Brasil: gbcbrasil.org.br

Well: www.wellcertified.com

HBC – Healthy Building Certificate: hbcertificate.com

Fitwel: fitwel.org

Siga o Imóvel Capital no Instagram

VEJA TAMBÉM:

Foto Hellen
O funding imobiliário avança em ritmos diferentes
No Rio Grande do Sul, ampliar o acesso a capital pode definir o próximo ciclo de crescimento das incorporadoras.
NOVA OLARIA RESIDENCES - PISCINA-1000
Nova Olaria projeta VGV de R$ 300 milhões na Cidade Baixa
Projeto da Cyrela aposta em revitalização urbana e uso misto em área consolidada de Porto Alegre.
Shift
Mercado imobiliário de Porto Alegre retoma lançamentos em 2026
Capital registra alta de 98% nas unidades lançadas no primeiro quadrimestre do ano.
ABF – Divulgação-1080
Átrio Boutique Haus: design e mobilidade urbana em Porto Alegre
Empreendimento da ABF Developments no Menino Deus integra arquitetura, conveniência e conexão urbana.
ANÚNCIO