A mobilidade vertical entra na era da robótica conectada. Em entrevista exclusiva ao portal Imóvel Capital, Eduardo Caram, Head de Novas Instalações e Modernização da TK Elevator para a América Latina, detalha o lançamento do TOMI, o robô delivery integrado aos elevadores da companhia — uma solução inédita no mercado que amplia o conceito de transporte vertical para além do deslocamento de pessoas.

Ao conectar inteligência artificial, automação e integração nativa com elevadores que já saem de fábrica preparados para essa operação, a TK Elevator passa a atuar também na logística interna dos edifícios residenciais. A proposta responde a uma dor concreta da vida urbana: a rotina intensa de entregas em condomínios cada vez mais verticalizados, onde prédios com mais de 40 andares se tornam comuns e a busca por conveniência é crescente.
Na conversa a seguir, Caram explica as motivações estratégicas por trás do investimento em robótica, detalha como funciona a operação autônoma do TOMI — equipado com sensores, mapeamento inteligente e tomada de decisão orientada por IA — e analisa os impactos da tecnologia para incorporadoras, administradoras, investidores e moradores. A entrevista também aborda dados, sustentabilidade e o futuro da mobilidade interna em um cenário de adensamento urbano acelerado.
Confira a entrevista completa:
1. O lançamento do TOMI marca uma ampliação importante do portfólio da TK Elevator. O que motivou a empresa a ir além do transporte vertical e investir em soluções de robótica para edifícios residenciais?
A TK Elevator é uma empresa de mobilidade, ou seja, nosso portfólio é completo para atender às necessidades do mercado, com elevadores, escadas e esteiras rolantes, pontes de embarque para aeroportos e uma linha completa de acessibilidade, que inclui uma cadeira para piscina.
Nesse contexto, pensar soluções para uma população cada vez mais urbana, que vive mais, com pessoas acima dos 60 anos ativas e independentes, além de uma sociedade que busca cada vez mais conforto e comodidade, é nosso maior desafio.
A inovação é parte desse processo e está no nosso DNA. O robô TOMI nasceu dessa percepção, em que a experiência do cliente nos leva a pensar em soluções inovadoras que atendam às dores do mercado. Uma delas está atrelada à verticalização das cidades, onde prédios com mais de 40 andares são comuns. Uma queixa recorrente dos moradores é a necessidade de buscar encomendas na portaria. As próprias construtoras nos pediam uma solução, e foi a partir dessa realidade que chegamos ao robô delivery, que se conecta aos nossos elevadores.
2. Como funciona, na prática, a integração do TOMI com os elevadores da TKE, quais tecnologias permitem sua operação autônoma e quais são os diferenciais dessa solução em relação a outros sistemas de delivery interno?
É importante destacar que, os elevadores TKE já saem de fábrica preparados para essa integração com o TOMI, o que representa uma novidade no mercado, pois somos a primeira fabricante de elevadores a oferecer essa solução. Dessa forma, o cliente pode adquirir o robô junto com o elevador.
A conexão entre o robô e os elevadores é feita por meio de sinais de comunicação que apoiam a operação, como a identificação do andar para o qual o TOMI irá se deslocar. Por meio de um software exclusivo, o robô tem capacidade de operar de forma autônoma, como um passageiro.
Dotado de uma variedade de sensores — como LiDAR, câmeras de profundidade e sensor de penhasco, entre outros —, ele consegue identificar quando o elevador está lotado, além de criar mapas dos ambientes e planejar o caminho a ser percorrido. Tudo ocorre a partir da tomada de decisão orientada por IA e de acordo com as necessidades de cada condomínio.
O fluxo de entrega é simples: o responsável pela portaria carrega os compartimentos do TOMI, que têm capacidade para transportar até 40 quilos e realizar entregas simultâneas, já que possui três armários para acomodar os itens. Em uma tela touch, o porteiro digita os dados da entrega e cria uma senha, por segurança, para o morador efetuar a retirada.
A partir desse comando, a interface com o elevador é totalmente automatizada até o andar da entrega. O TOMI envia uma mensagem ao interfone do morador, avisando que a encomenda está chegando, e ele só precisa digitar a senha para recebê-la. O robô pode seguir para outra entrega ou retornar à portaria. Ele ainda pode ser configurado para “conversar” com os moradores, caso o condomínio opte por essa função.
3. A TKE firmou uma parceria com a Alabia para integrar o robô TOMI aos elevadores. O que essa iniciativa representa para o mercado imobiliário e quais são seus diferenciais?
Trata-se de uma parceria inédita no setor, já que a TKE é a primeira fabricante de elevadores a oferecer a solução de um robô delivery integrado aos equipamentos desde a fábrica.
A Alabia é um avançado laboratório de inteligência artificial, referência nacional em soluções de IA e pioneiro no desenvolvimento de tecnologias como reconhecimento e síntese de voz, clonagem de voz e biometria, além de sistemas para robôs autônomos com navegação inteligente.
A partir da expertise da Alabia, unimos forças para tornar realidade a solução do robô delivery. Toda a interação do robô com o elevador é orientada por IA, assim como os percursos que ele segue, identificando obstáculos no caminho, entre outras capacidades. As possibilidades são variadas e tudo pode ser adaptado de acordo com as necessidades de cada condomínio.
4. Do ponto de vista do mercado imobiliário, quais ganhos o TOMI oferece para incorporadoras, construtoras e administradoras de condomínios?
O mercado da construção civil está constantemente em busca de novas soluções que atendam às expectativas dos clientes. Nesse sentido, um dos benefícios que o robô TOMI oferece é agregar valor ao projeto, a partir do que as pessoas desejam ao escolher um novo apartamento para morar.
Portanto, o elevador, que além de transportar pessoas também se conecta a um robô de entrega de forma autônoma, amplia sua função de mobilidade e passa a ser um coadjuvante estratégico na venda de um empreendimento. Trata-se de um diferencial alinhado ao desejo de consumo de quem busca soluções que tragam mais conforto e bem-estar.
5. O robô pode ser instalado tanto em prédios novos quanto em edifícios já em operação. Como essa flexibilidade impacta a adoção da tecnologia no parque imobiliário existente no Brasil?
À medida que lançamos o TOMI, inicialmente voltado a prédios residenciais, ampliamos sua oferta para outros segmentos, pois entendemos que há um mercado amplo a ser explorado.
Nossa expectativa é muito positiva, o que temos comprovado ao oferecer o produto aos clientes. Ao comercializar o robô como um opcional de forma independente, ampliamos sua disponibilidade tanto para quem já possui elevadores TKE quanto para aqueles que desejam modernizar equipamentos antigos por modelos mais atuais, já com a opção do robô delivery no condomínio.
6. A experiência piloto no edifício Teená, da Melnick, trouxe aprendizados importantes. Quais foram os principais feedbacks dos moradores e como eles influenciaram o produto final?
O piloto foi muito importante para percebermos como seria a interação com o robô no dia a dia do condomínio e a experiência dos moradores. O feedback foi bastante positivo e reforçou os benefícios que o TOMI apresenta, facilitando a rotina de quem vive em edifícios.
Além do conforto para o morador, o TOMI gera dados relevantes sobre o fluxo de entregas. Como essas informações podem contribuir para uma gestão mais eficiente dos condomínios?
Sim, todas as informações sobre a operação do robô ficam armazenadas para a gestão do fluxo de entregas pelo condomínio, com dados sobre dia, horário, volumes, entre outros indicadores. É mais um benefício que contribui para melhorar a experiência do morador e a eficiência operacional dos condomínios.
7. Sustentabilidade é um tema cada vez mais presente nos empreendimentos. De que forma o TOMI se conecta a essa agenda, seja em eficiência operacional ou uso de energia?
O TOMI não consome energia elétrica da rede do edifício durante a operação, pois é movido a bateria de fosfato de ferro e lítio de longa duração e pode funcionar por até oito horas com uma única carga. Portanto, seu impacto no consumo de energia do edifício é praticamente nulo.
Para a TKE, a sustentabilidade faz parte do planejamento estratégico, com uma cultura de excelência operacional e adoção das melhores práticas globais de ESG. Nossa fábrica em Guaíba (RS), por exemplo, é carbono zero e possui certificação Lixo Zero, que atesta uma taxa de reciclagem e reutilização de resíduos superior a 95%, entre outras iniciativas em prol do meio ambiente.
8. Olhando para o futuro, como a TK Elevator enxerga a evolução da mobilidade interna nos edifícios e qual o papel de soluções como o TOMI nesse novo cenário urbano?
As pesquisas indicam que, até 2030, mais de 70% da população viverá em cidades. Com esse adensamento populacional, a verticalização continuará sendo determinante nos próximos anos. A construção de prédios cada vez mais altos é reflexo dessa realidade e vem ganhando força no Brasil.
O país ocupa a 15ª posição no ranking mundial de edifícios com mais de 150 metros, de acordo com o Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH), com 154 empreendimentos, sendo 100 em fase de obra. Para empresas como a TKE, que se dedicam a transformar as cidades e mover as pessoas, a demanda por mobilidade é cada vez mais desafiadora.
Hoje já oferecemos soluções que conectam cada vez mais o elevador às pessoas, transformando uma viagem que pode durar apenas um minuto em uma experiência inovadora. É o caso do AGILE Mirror, tecnologia que transforma o espelho do elevador em uma tela multimídia com opções de comando e entretenimento.
Também ampliamos as conexões com a chamada do elevador pelo celular, por meio de aplicativo próprio, reduzindo o tempo de espera e tornando os deslocamentos mais eficientes. Essas soluções já integram o EOX, nosso mais recente lançamento, um elevador digital e ecológico que reúne o que há de mais eficiente e tecnológico em transporte vertical.
Para a mobilidade urbana, a TKE desenvolveu o MULTI, um elevador que opera com motores lineares no lugar de cabos de aço e permite deslocamentos na vertical e na horizontal, abrindo caminho para novas alternativas de mobilidade nas grandes cidades. Trata-se de uma tecnologia que ainda exige maior investimento, mas responde aos desafios de crescimento e mobilidade diante das limitações dos sistemas tradicionais.
Continuamos desenvolvendo novas soluções e acreditamos que, no futuro, o elevador será cada vez mais amigável e conectado às pessoas.
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CRÉDITOS
Foto e vídeo: TK Elevator / Divulgação
Assessoria: Rouxinol Comunicação
