Por Claudio Teitelbaum, representante do Movimento Porto Alegre+ e presidente do Sinduscon-RS.
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Na última semana iniciou um momento decisivo para a capital gaúcha: a votação para aprovação do novo Plano Diretor de Porto Alegre. O documento define como a cidade vai crescer, se desenvolver e enfrentar desafios como mobilidade, habitação e mudanças climáticas.
O Plano Diretor é um instrumento central de planejamento urbano, cuja legitimidade decorre do debate público amplo, da participação social e da decisão dos representantes eleitos pela população. A atual revisão do Plano Diretor de Porto Alegre foi conduzida ao longo de anos, com um dos mais amplos processos participativos já realizados no município.
“Toda cidade que deseja crescer de forma organizada precisa de planejamento”.
A cidade de Porto Alegre tinha, no início dos anos 2000, cerca de 1,3 milhão de habitantes e a região metropolitana, 3 milhões. Passados 25 anos, a capital permanece com os mesmos 1,3 milhão de pessoas, enquanto a região metropolitana soma mais de 4 milhões. Este dado é o retrato de que a cidade deixou de ser atrativa para viver e isso é extremamente preocupante.
Toda cidade que deseja crescer de forma organizada precisa de planejamento. O Plano Diretor é o instrumento que orienta para onde a cidade pode crescer, como deve crescer e sob quais critérios esse crescimento acontece. Uma cidade sem previsibilidade perde competitividade e oportunidades. Planejar também é proteger. E quando falamos de Porto Alegre, a temática torna-se ainda mais relevante, especialmente pela enchente vivida em 2024.
Além disso, as definições urbanísticas impactam diretamente a vida das pessoas, como a mobilidade, os serviços oferecidos nos bairros, o valor dos imóveis, os espaços de convivência, entre muitos outros. Cidades que avançaram na atualização de seus marcos regulatórios ganharam dinamismo e capacidade de atrair investimentos. Porto Alegre tem tradição de protagonismo e debate público qualificado. O momento exige comprometimento com as próximas gerações. A aprovação de um Plano Diretor atualizado não é vitória de um setor ou de uma gestão, mas um pacto com o futuro da cidade.
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Claudio Teitelbaum assina este artigo, publicado originalmente na íntegra pelo Imóvel Capital e pela Zero Hora, com reprodução autorizada e crédito preservado ao autor.

