As decisões do mercado imobiliário têm impacto direto na dinâmica das cidades, da ocupação urbana à atração de investimentos. Localização, produtos, infraestrutura e modelos de negócio influenciam a forma como as cidades se desenvolvem e são utilizadas.

Essa relação esteve presente nas discussões do Tijolo Business 26, segunda edição do evento promovido pelo Tijolo Hub, em Porto Alegre. A iniciativa aproximou diferentes agentes do mercado imobiliário, com a participação de incorporadoras, construtoras, imobiliárias, investidores, startups, empresas de tecnologia e profissionais de diversas áreas.
A programação abordou inovação, capital, novas formas de morar, tecnologia, sustentabilidade, experiência do cliente e desenvolvimento urbano.
Conexões para um mercado mais integrado

Para Frederico Renner Mentz, sócio-fundador do Tijolo Hub, a colaboração entre empresas e profissionais com diferentes competências é fundamental para ampliar a capacidade de inovação e criar oportunidades de negócio.
“O setor construtivo e imobiliário é formado por agentes com características, desafios e posições muito distintas, mas todos fazem parte de um mesmo ecossistema e se complementam.”
Na avaliação de Frederico, espaços de diálogo permitem compartilhar experiências e necessidades, conectando novas ideias.
“A colaboração acelera a inovação porque permite enxergar o mercado por diferentes perspectivas e conectar competências que, isoladamente, talvez não se encontrassem.”

Essa necessidade de aproximação também é destacada por Rodrigo Martins, diretor da Plaenge e Vanguard. Para ele, embora a construção civil tenha grande importância econômica e na geração de empregos, o setor ainda apresenta limitações na integração entre seus participantes.
“A indústria da construção civil é gigante, extremamente importante para a economia e geração de empregos. Entretanto, é pouco conectada entre si e menos organizada em relação a outros setores, como, por exemplo, a indústria automobilística.”
Na visão do executivo, eventos multidisciplinares contribuem para aproximar empresas e fortalecer a construção civil como indústria.
“Eventos multidisciplinares como este aproximam o setor, criam conexões e fortalecem a construção civil como indústria.”
Um mercado em reposicionamento
A evolução do Tijolo Business entre a primeira edição, realizada em 2025, e a segunda edição acompanha mudanças na forma como o mercado imobiliário interpreta seus desafios.

Bruno Dornelles, sócio-fundador do Tijolo Hub, observa um amadurecimento do evento e uma participação mais diversa de empresas e profissionais. Para ele, essa movimentação demonstra uma disposição maior para analisar as transformações de forma integrada.
“O mercado imobiliário e da construção civil no Rio Grande do Sul vive um momento de reposicionamento, em que temas como inovação, novos modelos de moradia, tecnologia, funding, sustentabilidade e experiência do cliente passaram a fazer parte das decisões estratégicas das empresas.”
Segundo Bruno, existe uma busca cada vez maior por repertório, conexões e novas respostas para um mercado que está mudando rapidamente.

Essa necessidade de revisão também aparece na avaliação de Matheus Kurtz, diretor de Vendas e Franquias da Auxiliadora Predial.
Para ele, encontros como o Tijolo Business ajudam o setor a questionar práticas estabelecidas e aproximar seus produtos e serviços das novas demandas.
“O Tijolo Business é importante porque provoca o mercado a sair do piloto automático. Ao reunir diferentes agentes do setor, cria espaço para questionar modelos, entender novos comportamentos e pensar produtos e serviços mais conectados à nova demanda.”
Novos produtos, experiências e modelos de negócio
As mudanças identificadas pelos participantes do evento já influenciam decisões concretas no desenvolvimento imobiliário.

Rodrigo Pavei, managing director da Pavei Empreendimentos e vice-presidente do Sinduscon-RS, aponta transformações na concepção dos produtos, na relação com os clientes e na estruturação dos negócios.
Uma das mudanças está na incorporação de elementos ligados ao wellness e à qualidade de vida. Áreas de convivência, esporte, natureza, serviços e conveniência passam a fazer parte da concepção dos empreendimentos e da decisão de compra.
Pavei também destaca imóveis mais flexíveis, impulsionados por famílias menores, novas formas de trabalho e maior mobilidade. Plantas eficientes e unidades compactas podem atender a moradia, investimento e locação, enquanto a rentabilidade, a operação e a gestão passam a ser consideradas desde a concepção do produto.
“O incorporador começa a pensar no imóvel não somente para o comprador final, mas também na sua rentabilidade, facilidade de locação, operação e gestão.”
Esse ambiente exige maior precisão nas decisões sobre localização, produto, preço, velocidade de vendas e estrutura financeira.
“Não basta lançar um bom empreendimento. Precisamos acertar localização, produto, preço, velocidade de vendas e estrutura financeira. Isso exige decisões cada vez mais baseadas em dados.”
Para Pavei, a mudança alcança a própria definição do papel das empresas do setor:
“Talvez a maior transformação seja que deixamos de ser simplesmente construtores de metros quadrados. Estamos caminhando para ser empresas que criam soluções de moradia, experiência e investimento.”
Desenvolvimento imobiliário e transformação urbana
A discussão sobre o futuro do setor também envolve a relação entre empreendimentos, planejamento e desenvolvimento das cidades.
Em Porto Alegre, esse debate passa por segurança jurídica, infraestrutura, qualificação dos espaços públicos, sustentabilidade e capacidade de atrair investimentos e talentos.

Germano Bremm, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (SMAMUS), avalia que a cidade tem uma oportunidade concreta de conectar desenvolvimento imobiliário e desenvolvimento urbano.
“Porto Alegre vive uma oportunidade muito concreta de transformar desenvolvimento imobiliário em desenvolvimento urbano.”
Segundo Germano, o novo Plano Diretor combina regras mais claras, segurança jurídica e estímulo ao investimento com a qualificação dos espaços públicos, a sustentabilidade e a proximidade entre moradia, trabalho, serviços e lazer.
Essa abordagem abre espaço para a requalificação de áreas estratégicas e o aproveitamento de regiões que já contam com infraestrutura. O Distrito da Inovação é uma das expressões dessa estratégia, que também se estende a outros territórios da capital.
Germano relaciona ainda a qualidade urbana à capacidade de atrair e reter talentos.
“Hoje, as cidades também disputam talentos — e talentos escolhem onde viver a partir das oportunidades, da inovação e, sobretudo, da qualidade de vida.”
Para o secretário, a articulação entre poder público e mercado imobiliário pode gerar efeitos sobre a atividade econômica e a ocupação dos territórios.
“Quando o poder público e o mercado imobiliário trabalham nessa mesma direção, cria-se um ciclo virtuoso. Bons projetos atraem pessoas e empresas, geram atividade econômica, valorizam os territórios e estimulam novos investimentos.”
Essa perspectiva amplia a discussão sobre o papel dos empreendimentos, relacionando decisões de mercado a objetivos de desenvolvimento urbano.
A articulação como estratégia para o futuro
As discussões apontam para um setor que precisa lidar simultaneamente com mudanças no comportamento do consumidor, novas tecnologias, maior seletividade do capital e demandas urbanas mais complexas.
As fontes ouvidas apresentam perspectivas diferentes, mas complementares.

Nesse contexto, eventos como o Tijolo Business funciona como uma iniciativa de articulação entre diferentes participantes do ecossistema. Seu papel está relacionado à criação de espaços para diálogo, troca de experiências e construção de novas perspectivas para o mercado.
A transformação urbana, por sua vez, depende dos desdobramentos dessas discussões em decisões empresariais, políticas públicas e projetos capazes de responder às necessidades das cidades.
Ao aproximar diferentes visões sobre negócios, inovação e desenvolvimento, o Tijolo Hub coloca a colaboração como parte da discussão sobre os próximos caminhos do mercado imobiliário e da construção civil.
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CRÉDITOS
Tijolo Business 2026: realização Tijolo Hub
Fotos: Divulgação e Diego Larre @dlimagen
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