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MERCADO

Construção revê crescimento para 1,2% em meio a juros e custos

O setor da construção civil revisou para baixo sua expectativa de crescimento em 2026 diante do cenário de juros elevados, pressão inflacionária e aumento dos custos de produção. A nova projeção da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta expansão de 1,2% para o segmento neste ano, abaixo da estimativa anterior, de 2%, e também inferior à projeção do PIB nacional, estimada em 1,9%.

Os dados foram apresentados pela CBIC nesta quinta-feira (7/5), durante coletiva de imprensa sobre o desempenho do setor e as perspectivas para os próximos meses. O principal fator de preocupação está relacionado aos impactos econômicos da crise geopolítica no Oriente Médio, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de escoamento de petróleo.

Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), avalia que juros elevados e aumento dos custos seguem pressionando o setor da construção civil em 2026 – Foto: Divulgação/CBIC

Alta do petróleo pressiona custos da construção

O aumento dos combustíveis e derivados do petróleo já começou a impactar diretamente os custos da construção civil. No primeiro trimestre de 2026, o índice do preço médio dos insumos da construção atingiu 68,4 pontos, o maior nível desde o segundo trimestre de 2022.

Além disso, o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-M) registrou alta de 1,4% em abril, maior elevação mensal desde junho de 2022.

Segundo a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, os efeitos da alta do petróleo vão além do transporte de materiais.

“O custo do frete é um dos itens que pode ajudar a justificar o aumento, mas não é apenas o frete do material até o canteiro, e sim, toda a cadeia de produção e transporte das matérias-primas. Além disso, todo insumo que leva derivados de petróleo na composição, como tubos, conexões e tintas, tem uma sensibilidade maior à elevação do custo do barril”, afirmou.

Nesse contexto, a pressão sobre os custos também preocupa a indústria. O gerente de análise econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo Azevedo, alertou que os efeitos sobre logística e insumos devem ganhar intensidade nos próximos meses.

“É possível que a gente tenha um salto importante também por conta dessas pressões de custos”, disse.

 

Juros elevados seguem como principal preocupação do setor

Apesar das recentes sinalizações de desaceleração inflacionária em alguns segmentos da economia, a taxa básica de juros continua em patamar elevado, restringindo o crédito imobiliário e afetando decisões de investimento, lançamentos e consumo.

A sondagem da construção realizada pela CBIC mostrou que a taxa de juros permanece como a principal preocupação dos empresários do setor no primeiro trimestre de 2026. Em seguida aparecem a carga tributária, a falta de mão de obra qualificada e o aumento dos custos trabalhistas.

O presidente da CBIC, Renato Correia, destacou que o ambiente econômico tem impactado diretamente o desempenho do varejo de materiais e pequenas obras.

“Os juros em alto patamar e a escassez de mão de obra, além de seu custo, são alguns dos fatores que podem ajudar a explicar esse dado, causado especialmente pelo adiamento de pequenas obras e reformas”, afirmou.

No primeiro bimestre de 2026, o comércio varejista de materiais de construção recuou 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a produção de insumos típicos da construção caiu 6,9%.

 

Mercado de trabalho mantém ritmo de crescimento

Mesmo diante do cenário mais desafiador, o mercado de trabalho da construção civil segue aquecido. O saldo de empregos formais criados pelo setor no primeiro trimestre de 2026 cresceu quase 19% em relação ao mesmo período de 2025.

Os destaques ficaram com os segmentos de construção de edifícios, que avançou 23%, e obras de infraestrutura, com crescimento de 42,41%.

Com isso, a construção civil foi responsável por um em cada cinco empregos formais criados no Brasil entre janeiro e março e já soma mais de 3 milhões de trabalhadores formais.

Além disso, o setor passou a registrar o maior salário médio de admissão do país em março, alcançando R$ 2.551,69, superando inclusive a administração pública.

São Paulo liderou a geração de empregos na construção, com 34.609 vagas, seguido por Minas Gerais, com 10.481, e Santa Catarina, com 9.620 postos de trabalho.

No Rio Grande do Sul, o mercado de trabalho da construção também apresentou saldo positivo no início de 2026. Dados do Novo Caged mostram que o setor abriu aproximadamente 1,7 mil vagas formais em janeiro e outras 1,3 mil em fevereiro no estado, reforçando a manutenção da atividade mesmo diante do cenário de juros elevados e aumento dos custos da construção.

 

Crédito imobiliário e FGTS seguem no centro do debate

Outro ponto de atenção para o setor é o aumento do endividamento das famílias, que reduz o acesso ao crédito imobiliário e afeta diretamente a demanda habitacional.

A CBIC voltou a defender a preservação dos recursos do FGTS para financiamento habitacional, especialmente para operações vinculadas ao programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo a entidade, o uso do fundo para outras finalidades compromete a capacidade de financiamento da habitação de interesse social.

Além disso, o setor avalia que a escassez de mão de obra qualificada deve continuar pressionando os custos da construção. Um estudo recente da entidade aponta que a eventual redução da jornada de trabalho no Brasil poderá gerar necessidade de até 288 mil novos trabalhadores no setor.

 

Setor monitora impacto macroeconômico nos investimentos

Apesar da desaceleração nas projeções de crescimento, os indicadores ligados à infraestrutura seguem sustentando parte da atividade econômica da construção civil. A

Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) estima investimentos de R$ 300 bilhões em infraestrutura neste ano.
Ainda assim, incorporadoras, construtoras e investidores acompanham com atenção os desdobramentos do cenário internacional, especialmente os impactos da volatilidade do petróleo sobre inflação, juros e financiamento imobiliário.

Com isso, o ambiente de negócios para o setor em 2026 passa a exigir maior cautela operacional, controle de custos e estratégias mais eficientes de capitalização e crédito.

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CRÉDITOS
Fonte: Agência CBIC
Saiba mais: www.cbic.org.br
Fotos: Divulgação/CBIC

 

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