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ESG

TKE usa biometano e reduz carbono incorporado dos elevadores

A TK Elevator (TKE) passou a utilizar biometano na fabricação de elevadores em sua unidade industrial de Guaíba, no Rio Grande do Sul. Segundo a companhia, a iniciativa, desenvolvida em parceria com a Ultragaz, torna a TKE a primeira fabricante de elevadores do Brasil a integrar essa fonte de energia renovável ao processo de manufatura.

Central de biometano instalada pela Ultragaz na fábrica da TK Elevator em Guaíba (RS)

De acordo com informações fornecidas pela empresa, o biometano é aplicado sobretudo na linha de pintura, uma das etapas de maior impacto ambiental na produção dos equipamentos. A adoção do combustível renovável, cujo potencial de redução de emissões de carbono chega a 99% em relação a fontes fósseis, deve resultar em uma queda de aproximadamente 95% nas emissões de CO₂ associadas a essa etapa, na comparação com os índices registrados em 2024.

Para incorporadoras, construtoras e investidores, o dado relevante é um conceito que ganha peso crescente nas decisões de compra e nas certificações de sustentabilidade: o carbono incorporado.

 

O que muda para incorporadoras e investidores

Em entrevista exclusiva ao Imóvel Capital, Matheus Segat, Head de Manufatura da TK Elevator, explicou que a mudança na matriz energética da fábrica tem efeito direto sobre a pegada de carbono dos elevadores entregues aos empreendimentos, ainda que o biometano seja consumido na etapa de produção, e não na operação do equipamento já instalado.

“Empreendimentos que buscam certificações como LEED, EDGE ou AQUA-HQE valorizam fornecedores capazes de demonstrar redução de impactos ambientais ao longo da cadeia de suprimentos”, afirma Segat.

Nesse contexto, a escolha de equipamentos fabricados com energia renovável passa a ser um dado técnico que pode ser incorporado às estratégias ESG dos projetos. Segat reforça que esse movimento já é percebido no relacionamento comercial da companhia com o setor imobiliário.

“Incorporadoras e investidores têm assumido compromissos cada vez mais robustos de descarbonização, e a seleção de fornecedores alinhados a esses objetivos torna-se um diferencial importante na tomada de decisão”, diz o executivo.

 

Carbono incorporado ganha peso além da operação do empreendimento

O setor da construção civil tem concentrado esforços de eficiência energética na fase de uso dos empreendimentos — consumo de água, climatização, iluminação. Segat aponta, no entanto, que a atenção do mercado começa a se deslocar também para as emissões associadas à fabricação dos materiais e equipamentos utilizados nas obras, o chamado carbono incorporado.

“Incorporadoras, investidores e certificações ambientais têm direcionado cada vez mais atenção às emissões incorporadas nos materiais e equipamentos utilizados nos empreendimentos, e não apenas ao consumo de energia durante a operação dos edifícios”, afirma.

Dessa forma, um elevador fabricado com menor pegada de carbono passa a ser um dado técnico adicional na composição do desempenho ambiental de um empreendimento, ao lado de itens como concreto de baixo carbono, esquadrias eficientes e sistemas de gestão hídrica.

 

Sem alteração de desempenho, prazo ou custo

Um ponto levantado na entrevista é a preocupação recorrente de construtoras quanto a eventuais impactos de mudanças na cadeia produtiva sobre prazos de entrega, qualidade e custo dos equipamentos. Segundo Segat, a transição energética não altera esses fatores.

“O biometano possui características energéticas equivalentes às do gás natural, permitindo sua utilização nos processos produtivos sem comprometer desempenho, qualidade ou produtividade”, explica.

Além disso, o executivo cita ganhos indiretos de previsibilidade para a operação industrial. Ao reduzir a dependência de combustíveis fósseis, sujeitos a oscilações de preço e de câmbio, a companhia argumenta obter maior estabilidade em sua cadeia de suprimentos — fator que, em tese, também favorece a previsibilidade de fornecimento para os clientes da construção civil.

 

Demanda do mercado imobiliário por dados de emissões

Questionado sobre se já existe demanda concreta de incorporadoras por produtos industrializados com menor pegada de carbono, Segat afirma que sim.

“Já observamos uma evolução significativa do mercado em relação a esse tema. Incorporadoras, fundos imobiliários, investidores institucionais e empresas comprometidas com metas ESG vêm ampliando o interesse por informações relacionadas às emissões de carbono dos materiais, equipamentos e sistemas utilizados nos empreendimentos”, diz.

Segundo o executivo, esse interesse acompanha uma tendência internacional de análise do ciclo de vida completo das edificações — da fabricação dos materiais até a demolição —, e não apenas do período de uso do imóvel.

 

Números da jornada de descarbonização

Segundo a TKE, a trajetória de redução de emissões na unidade de Guaíba começou com a compra de energia elétrica 100% renovável, certificada por I-RECs, e com a substituição da frota de empilhadeiras por veículos elétricos. A adoção do biometano na linha de pintura é a etapa mais recente desse processo.

A companhia estima consumir 180 mil metros cúbicos de biometano por ano na produção de elevadores. O combustível é obtido a partir da purificação de biogás captado em aterros sanitários licenciados pela FEPAM, órgão ambiental do Rio Grande do Sul.

De acordo com dados fornecidos pela TKE, as emissões de CO₂ da unidade de Guaíba caíram de 1.400 toneladas em 2019 para 600 toneladas em 2024, redução superior a 50%. Com o biometano e outras medidas de corte no uso de GLP, a meta da companhia é atingir uma redução de aproximadamente 95% das emissões até 2027 — trajetória que integra a meta global do grupo de reduzir em 53% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, com base no ano de 2019.

 

Declarações Ambientais de Produto reforçam rastreabilidade

Segat também citou a elaboração de Declarações Ambientais de Produto (EPDs) como parte da estratégia da companhia para dar transparência às emissões associadas aos seus equipamentos. Esse tipo de documento técnico é cada vez mais solicitado por empreendimentos que buscam certificações internacionais de sustentabilidade, por permitir a comparação objetiva de impacto ambiental entre fornecedores.

“A adoção do biometano na manufatura é mais um passo nessa jornada, permitindo oferecer ao mercado soluções produzidas com menor impacto ambiental e alinhadas às expectativas de um setor imobiliário cada vez mais orientado pela sustentabilidade e pela descarbonização”, conclui o executivo.

Para incorporadoras e investidores, o caso da TKE ilustra um movimento mais amplo da cadeia da construção civil: a análise de sustentabilidade dos empreendimentos deixa de se restringir à fase de uso do edifício e passa a considerar também a origem e o processo produtivo dos equipamentos instalados — informação que tende a se tornar critério recorrente em processos de especificação técnica e devida diligência ambiental de novos projetos.

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CRÉDITOS
Imagens: Divulgação / TK Elevator
Informações: www.tkelevator.com/br-pt
Assessoria: Rouxinol Assessoria em Comunicação

Autorizada a reprodução dos textos desde que a fonte seja citada – imovelcapital.online.

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