O mercado de imóveis novos de médio e alto padrão de Porto Alegre ganhou ritmo no segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, foram comercializadas 1.147 unidades, 26% acima das 912 unidades vendidas nos três primeiros meses do ano. Os dados fazem parte do Panorama do Mercado Imobiliário, pesquisa elaborada pelo Sinduscon-RS em parceria com a Alphaplan Inteligência em Pesquisas e a Órulo.

No acumulado do primeiro semestre, foram comercializadas 2.059 unidades, 8% abaixo das 2.234 registradas no mesmo período de 2025. Em entrevista ao Imóvel Capital, Rodrigo Pavei, diretor do Sinduscon-RS, avalia que a aceleração das vendas precisa ser analisada também sob a perspectiva da sazonalidade do mercado.

“É um movimento normal nos segundos trimestres terem mais força que os primeiros, uma vez que janeiro a março de cada ano há uma dispersão da renda para férias, e depois com gastos escolares e demais impostos de início de ano que postergam as compras, inclusive de imóveis, para os semestres seguintes a cada ano. Foram imóveis de ticket mais baixo que do primeiro trimestre de 2026, uma vez que o aumento de 26% das unidades vendidas foi acompanhado de pouco mais de 18% em VGV.”
A diferença entre o crescimento das unidades comercializadas e o avanço do VGV mostra que a aceleração das vendas ocorreu acompanhada por uma mudança na composição dos produtos negociados. O mercado vendeu mais unidades, mas com ticket médio menor no segundo trimestre.
Lançamentos avançam 18% no semestre
Do lado da oferta, o primeiro semestre terminou com 1.206 unidades lançadas, contra 1.018 no mesmo período de 2025, crescimento de 18%.
O primeiro trimestre concentrou 745 unidades lançadas. Entre abril e junho, foram 461. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, quando foram lançadas 698 unidades, houve queda de 34%.
Para Pavei, os números refletem uma postura mais seletiva das incorporadoras diante das condições de mercado.
“As incorporadoras sempre tomaram uma postura de cautela e grande maturidade ao frear lançamentos e serem mais seletivas em seus lançamentos. Também houve uma redução no ticket lançado, uma vez que houve aumento de 18% na quantidade lançada mas uma redução do VGV lançado, prova de uma oferta que se adapta a cada momento de mercado, sempre buscando segurança. Isso reforça a tese de investimento do mercado imobiliário e sua segurança.”
A alta de 18% nas unidades lançadas, acompanhada por redução do VGV lançado, reforça a leitura de uma oferta ajustada ao cenário. As incorporadoras ampliaram o volume de unidades, mas com produtos de menor ticket.
Vendas superam lançamentos no segundo trimestre
A diferença entre vendas e lançamentos chama atenção na análise do segundo trimestre. Entre abril e junho, foram comercializadas 1.147 unidades diante de 461 novas unidades lançadas. As vendas superaram os lançamentos em 686 unidades.
O resultado aponta para uma absorção relevante da oferta existente no período. Para Pavei, a leitura precisa considerar também o ciclo anterior do mercado.
“Em 2025 foi um ano que lançou mais do que vendeu (+17% de unidades lançadas contra redução de 5% em unidades), muito em razão de que os incorporadores ficaram com projetos em ritmo de espera de lançamento por efeitos da enchente de 2024. Então esse menor nível de venda em 2025 criou um estoque que deve ser consumido, por isso em 2026 os lançamentos estão mais lentos que as vendas.
Um outro fator da redução dos lançamentos foi por conta da aprovação do novo Plano Diretor que estava em tramitação na Câmara, comenta o Rodrigo.
A explicação ajuda a contextualizar a diferença entre vendas e lançamentos observada neste ano. Parte da oferta disponível foi formada em um período de menor comercialização e de projetos que tiveram seus lançamentos postergados.
Estoque soma 5.980 unidades
Ao final do primeiro semestre, o mercado de imóveis novos de médio e alto padrão de Porto Alegre registrou 5.980 unidades em estoque.
Os apartamentos de um dormitório representam 44,4% da oferta, com 2.380 unidades. Os imóveis de três dormitórios respondem por 31%, com 1.662 unidades. As unidades de dois dormitórios representam 22,3% do estoque, enquanto os imóveis de quatro ou mais dormitórios correspondem a 2,4%.
Em relação ao estágio das obras, 55% do estoque está em construção. Os imóveis prontos representam 34% e os lançamentos, 12%.
A composição mostra uma oferta concentrada principalmente em imóveis de um e três dormitórios e em unidades que ainda estão em construção.
Sinduscon-RS projeta 4 mil vendas em 2026
A evolução observada no primeiro semestre leva o Sinduscon-RS a projetar aproximadamente 4 mil unidades comercializadas de médio e alto padrão ao longo de 2026.
“Com esse ritmo, acreditamos que tenhamos um ano com um volume por volta de 4 mil unidades vendidas de médio e alto padrão, o equivalente a R$ 4,8 bi, para um volume menor de lançamentos, tanto em unidades quanto em VGV.”
A projeção aponta para um segundo semestre em que o volume de vendas deve superar o de novos lançamentos, favorecendo a absorção da oferta existente.
Acesse a síntese do relatório – no site do Sinduscon-RS
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