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TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Robôs instalam elevadores no Brasil e aumentam eficiência das obras

A busca por mais produtividade, previsibilidade e eficiência operacional tem acelerado a adoção de tecnologias automatizadas na construção civil. Neste contexto, em um setor pressionado por exigências de prazo, custo e qualidade, a industrialização dos processos começa a ganhar espaço dentro dos canteiros de obras.

A transformação não acontece apenas na fabricação de componentes ou na adoção de sistemas construtivos industrializados. Ela também alcança, sobre etapas tradicionalmente executadas de forma manual, incorporando tecnologias capazes de aumentar a precisão, reduzir variabilidades e otimizar a execução dos empreendimentos.

Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), essa mudança já está em curso

“Automação e industrialização têm se tornado segmentos explorados por um grupo de construtoras que veem uma oportunidade de diferenciação e que aos poucos vêm conquistando o espaço até então ocupado pelas construtoras tradicionais”, afirma Dionyzio Klavdianos, vice-presidente de Inovação da CBIC e presidente da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (COMAT).

Além disso, a busca por produtividade tende a acelerar esse movimento.

“Sem dúvidas, nosso setor já sofre bastante pelos baixos índices de produtividade, decorrentes notadamente da utilização de sistemas construtivos tradicionais e de mão de obra intensiva. Quanto mais introduzirmos sistemas produzidos fora do canteiro de obra, mais produtiva e previsível será a obra.”

Diante desse cenário, o Brasil recebeu a primeira operação nas Américas do Schindler R.I.S.E., sistema robótico desenvolvido para automatizar etapas da instalação de elevadores em empreendimentos de grande porte.

 

Schindler R.I.S.E chega às Américas pela primeira vez

O Schindler R.I.S.E automatiza o escaneamento, a medição, a perfuração e a instalação dos chumbadores nos poços dos elevadores, aumentando a precisão e a produtividade dessa etapa da obra – Foto: Atlas Schindler / Divulgação

Já está operando no país o Sistema Robótico de Instalação para Elevadores da Schindler, conhecido como R.I.S.E. A tecnologia foi desenvolvida pela companhia em seus Centros de Pesquisa e Desenvolvimento em parceria com players estratégicos do mercado global.

Testado inicialmente como protótipo em 2017, o sistema passou por uma extensa fase de validação em projetos internacionais, incluindo o The Circle, no Aeroporto de Zurique, na Suíça. A partir de 2020, sua aplicação foi ampliada para cidades como Varsóvia, na Polônia, e Viena, na Áustria.

Com isso, o R.I.S.E consolidou-se como a primeira solução autônoma do mundo capaz de executar etapas da instalação de elevadores em edifícios de grande porte. A operação realizada no Brasil marca sua estreia nas Américas.

Sérgio Wriedt, diretor de Novas Instalações e Modernização da Atlas Schindler, durante entrevista sobre automação e industrialização na construção civil.
Sérgio Wriedt, diretor de Novas Instalações e Modernização da Atlas Schindler, afirma que a automação de processos construtivos deve ganhar espaço à medida que a construção civil avança em direção a modelos mais industrializados – Foto: Atlas Schindler / Divulgação

“A chegada do R.I.S.E reflete um movimento mais amplo de transformação da construção civil, no qual atividades tradicionalmente executadas de forma manual passam a ganhar precisão, previsibilidade e produtividade por meio da automação, afirma Sérgio Wriedt, diretor de Novas Instalações e Modernização da Atlas Schindler.

Na prática, o robô atua no escaneamento da estrutura, medição, perfuração e instalação dos chumbadores necessários para a futura montagem dos elevadores dentro do poço do empreendimento.

Flavio Silva, presidente do Grupo Schindler na América Latina, comenta os benefícios do sistema robótico Schindler R.I.S.E para a instalação de elevadores.
Flavio Silva, presidente do Grupo Schindler na América Latina, comenta os benefícios do sistema robótico Schindler R.I.S.E para a instalação de elevadores – Foto Atlas Schindler / Divulgação

“Com o Schindler R.I.S.E, iremos automatizar a parte inicial do processo de instalação do equipamento, permitindo que a montagem do elevador seja mais ágil, segura, precisa e eficiente. Não temos nada parecido disponível no mercado brasileiro”, destaca Flavio Silva, presidente do Grupo Schindler na América Latina.

Segundo o executivo, o avanço tecnológico também amplia a capacidade da companhia de oferecer novas soluções ao mercado.

“Com o investimento global e a evolução tecnológica podemos explorar melhor e de maneira mais precisa a oferta de produtos, serviços e experiências, entregando mais valor e inovação aos nossos clientes”, completa.

JK Square valida a tecnologia em obra real no Brasil

Na prática, a primeira aplicação do R.I.S.E nas Américas ocorreu no JK Square, empreendimento de uso misto localizado na zona sul de São Paulo. Desenvolvido pelo escritório internacional Kohn Pedersen Fox (KPF) e construído pela Engeform Engenharia, o complexo reúne escritórios corporativos, residências, hotel, áreas comerciais e espaços de convivência.

Para a operação, um dos robôs da Schindler, apelidado de Marie, foi transportado da Suíça para atuar na preparação dos poços de quatro elevadores Schindler 7000, equipamentos com capacidade para 24 passageiros e velocidade de até 4 metros por segundo.

Durante a execução, o sistema realizou de forma automatizada o escaneamento da estrutura, medições, perfurações e instalação dos chumbadores necessários para a instalação dos elevadores.

O resultado chamou a atenção da equipe do projeto. Segundo informações da Schindler, o robô concluiu os 96 metros de um dos poços em apenas 28 horas, reduzindo significativamente o tempo normalmente exigido para essa etapa.

A estimativa é que a utilização da tecnologia tenha proporcionado um ganho aproximado de duas semanas no cronograma de instalação dos elevadores quando comparada aos métodos convencionais.

Além do impacto sobre a produtividade, o sistema permite a realização de atividades em períodos noturnos, reduz tarefas repetitivas e fisicamente exigentes e contribui para um ambiente de trabalho mais seguro.

“A cultura da gestão do conhecimento e inovação é latente na Engeform. Não à toa, temos uma área dedicada ao tema, com especialistas atentos às oportunidades que surgem no mercado e capazes de trazer ganhos de produção, mais segurança, qualidade e eficiência aos nossos canteiros e realizações”, destaca Eduardo Rossetti, diretor de negócios da Engeform Engenharia.

Segundo Rossetti, a construtora ficou impressionada com a velocidade e a precisão da tecnologia. O executivo também ressaltou o papel da empresa na introdução da solução no mercado brasileiro.

“Nos orgulhamos por já termos recebido inúmeros reconhecimentos como uma empresa que fomenta a evolução do setor da construção civil no país, protagonizando iniciativas como essa, de abrirmos as portas para trazer ao Brasil o robô da Schindler em uma obra icônica em São Paulo, executada por nós.”

O que essa tecnologia revela sobre o futuro da construção

O caso do JK Square ocorre em um momento em que a construção civil amplia o uso de soluções voltadas à industrialização, automação e ganho de produtividade.

A chegada do R.I.S.E às Américas evidencia uma mudança gradual no modo como o setor vem incorporando tecnologia aos seus processos. Nesse sentido, a automação deixa de ocupar apenas funções periféricas e passa a atuar em etapas críticas da execução, tradicionalmente dependentes de trabalho intensivo e elevado grau de variabilidade.

Nesse contexto, a robotização não representa apenas uma alternativa para acelerar cronogramas. Ela também contribui para ampliar a padronização dos processos, aumentar o controle de qualidade e reduzir riscos operacionais em atividades repetitivas e de alta precisão.

À medida que a industrialização avança e novas tecnologias chegam aos canteiros, soluções desse tipo tendem a ampliar sua presença em empreendimentos que buscam maior eficiência, previsibilidade e escala na execução das obras.

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CRÉDITOS
Foto e vídeo: Atlas Schindler / Divulgação
Assessoria: Agência Máquina

 

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