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TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Construtech leva o BIM ao canteiro de obras em tempo real

O avanço do BIM no canteiro de obras ainda avança em ritmo desigual entre incorporadoras e construtoras brasileiras. Nesse sentido, levantamento do BIM Fórum Brasil, 70% das empresas do setor ainda operam em estágios considerados “tradicional” ou “iniciante” em transformação digital.

Nesse cenário, ferramentas que aproximam projeto, execução e acompanhamento de obra começam a ganhar espaço no mercado. Além disso, o movimento se intensifica diante da pressão crescente por produtividade, rastreabilidade e integração operacional nos empreendimentos.

Depois de consolidar espaço nos escritórios de engenharia e compatibilização de projetos, o BIM — metodologia baseada em modelos digitais inteligentes da construção — passa a avançar também para o ambiente operacional das obras.

O movimento reflete uma mudança gradual na lógica de gestão dos empreendimentos, impulsionada pela busca do setor por maior previsibilidade, integração de informações e redução de retrabalho durante a execução.

Na prática, um dos principais desafios enfrentados pelas incorporadoras ainda está na distância entre o que foi projetado e o que efetivamente acontece no canteiro. Com isso, equipes de campo continuam dependendo de plantas impressas, documentos descentralizados e atualizações fragmentadas ao longo da obra.

Com isso, validações técnicas acabam acontecendo tardiamente, aumentando o risco de incompatibilidades, ajustes corretivos e perda de produtividade operacional.

 

Visualização de modelos BIM em dispositivos móveis permite acesso a informações da obra diretamente no canteiro, conectando projeto e execução em tempo real

BIM no canteiro de obras avança além do escritório

Nesse contexto, o chamado “BIM no campo” começa a ganhar espaço em obras que buscam ampliar rastreabilidade e integração operacional.

A evolução envolve o uso combinado de tecnologias que, na prática, vêm ampliando a digitalização do canteiro, como:

  • Modelos BIM;
  • Plataformas móveis;
  • Captura da realidade;
  • Imagens em 360º;
  • Drones;
  • Monitoramento remoto;
  • Centralização de dados da obra.

 

O objetivo é aproximar planejamento e execução no momento em que as decisões acontecem dentro do canteiro.

Nesse contexto, o avanço do BIM para dentro do canteiro começa a aparecer em soluções voltadas à integração entre projeto, execução e acompanhamento de obra.

Uma das iniciativas nesse sentido envolve o desenvolvimento de visualizadores BIM para dispositivos móveis, permitindo que equipes de campo acessem modelos digitais diretamente durante a execução das atividades.

A discussão ganhou força também entre empresas especializadas em captura da realidade e monitoramento digital de obras. É o caso da Construct IN, construtech voltada à documentação e acompanhamento digital de empreendimentos na construção civil, que passou a integrar esse tipo de visualização ao acompanhamento operacional das obras.

Segundo Tales Silva, CEO da empresa, a limitação do BIM ao ambiente de escritório ainda representa um desafio operacional recorrente no setor. Nesse contexto, ele afirma:

“O interesse por ferramentas que aproximem projeto e execução cresce em diversos segmentos, mas a equipe de campo ainda tem pouco acesso a esse conteúdo. Quando o modelo fica restrito ao desktop, a comparação entre o planejado e o executado acontece tarde demais”, afirma.

A percepção acompanha um movimento mais amplo de digitalização da construção civil, especialmente em empreendimentos que demandam maior controle operacional, padronização de processos e gestão orientada por dados.

Tales Silva é CEO da Construct IN, construtech pioneira em captura da realidade para o setor da construção civil – Foto: Construct IN


Integração entre projeto e execução ganha espaço

A busca por maior integração entre projeto, execução e acompanhamento de obra também ocorre em meio à pressão crescente por eficiência operacional nas incorporadoras. Dessa forma, empreendimentos, informações técnicas ainda ficam distribuídas entre diferentes plataformas.

“Quando cada etapa está em uma ferramenta diferente, a gestão vira um esforço constante de conciliação de informações. Ao reunir tudo em um único ambiente, é possível manter o contexto da obra e tomar decisões com mais clareza”, explica Silva.

Com o avanço das plataformas móveis, profissionais de campo passam a acessar informações técnicas diretamente no canteiro, reduzindo a dependência de validações posteriores realizadas exclusivamente no escritório.

Segundo a Construct IN, a integração entre modelos BIM, captura da realidade e registros visuais permite ampliar o acompanhamento da execução e acelerar a identificação de desvios ao longo da obra.

A proposta busca aproximar o modelo digital da rotina operacional do empreendimento, especialmente em obras que demandam maior controle de execução e rastreabilidade das informações.

 

Obra conectada amplia controle operacional

A integração entre modelo digital e acompanhamento em campo também amplia o controle sobre a execução.

Enquanto imagens capturadas na obra mostram o estágio atual do empreendimento, o modelo BIM indica o que deveria estar executado naquele momento. Dessa forma, desvios podem ser identificados ainda durante a atividade operacional, reduzindo ajustes tardios e retrabalho.

Outro efeito percebido pelo setor está na centralização das informações em um único ambiente digital, reduzindo dependência de trocas informais, arquivos dispersos e múltiplas plataformas desconectadas.

“A informação passa a ter um ponto único de referência, o que facilita o acompanhamento e dá mais transparência ao processo”, afirma Silva.

Segundo a empresa, a tendência é que o avanço da integração entre BIM, captura da realidade e monitoramento remoto acelere a digitalização dos canteiros nos próximos anos, aproximando cada vez mais o modelo digital da execução prática da obra.

Nesse contexto, o BIM começa a deixar de ser apenas uma ferramenta de projeto para assumir um papel mais próximo da gestão operacional e da tomada de decisão em campo. Assim, o movimento que tende a ganhar espaço à medida que incorporadoras buscam mais previsibilidade, produtividade e integração ao longo da execução dos empreendimentos.

 

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