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TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Lamb Engenharia é premiada por reconstrução da fábrica da Coca-Cola Femsa

Planta reconstruída em apenas sete meses de obras, totalizando 20 mil m² recuperados. São esses números que marcaram a retomada integral das operações da fábrica da Coca-Cola FEMSA em Porto Alegre após a enchente de maio de 2024, um dos maiores projetos de recuperação industrial já realizados no Rio Grande do Sul. Conduzida pela Lamb Engenharia e Construção, a empreitada garantiu à construtora os prêmios de Empreendimento Comercial e Obra Destaque do Sinduscon Premium 2025.

Mais de 300 profissionais atuaram direta e indiretamente nas diferentes fases da reconstrução, sendo que 164 deles foram mobilizados por um processo de recrutamento relâmpago, concluído em apenas 19 dias mesmo diante da escassez de mão de obra agravada pela maior enchente da história do Estado. Entregue dentro do prazo, sem interrupções por falta de pessoal, a obra viabilizou o retorno da produção da Coca-Cola FEMSA em tempo recorde, garantindo a permanência da fábrica em solo gaúcho e preservando centenas de empregos.

“Certamente, é um marco para a Lamb, para a Coca-Cola e para o estado do Rio Grande do Sul, pois é um case de relevância para o cenário gaúcho, que perpetua a manutenção do histórico do que nós vivemos e do que a engenharia gaúcha conseguiu proporcionar para retomar não só as atividades econômicas, mas diversas outras realidades, com habitações, rodovias e outras instalações. Mostra a pujança e a qualidade do que nós temos aqui no Rio Grande do Sul”, afirma o engenheiro civil Julio César Bratz Lamb, sócio fundador da Lamb Engenharia e Construção.

 

Enchente histórica devastou a planta e colocou empregos em risco

Em maio de 2024, a fábrica localizada no bairro Sarandi ficou completamente submersa por cerca de 3 metros de água e lama, com prejuízos estimados em R$ 800 milhões. Além da infraestrutura produtiva, aproximadamente 200 caminhões foram perdidos. A extensão dos danos chegou a fazer a empresa cogitar o encerramento das atividades no local ou a transferência da operação para outro estado.


Apesar do cenário dramático, a decisão da FEMSA foi permanecer no Rio Grande do Sul,
gesto considerado estratégico, social e econômico. A empresa também manteve todos os empregos e apoiou colaboradores que tiveram suas casas atingidas.

“Eles tinham decisões muito difíceis para tomar. Uma delas poderia até ter sido não reconstruir a fábrica e fazê-la em outro lugar, ou abastecer o mercado através de outras unidades. Ainda assim, eles entenderam o papel econômico que tinham, o papel social com os funcionários e suas famílias e decidiram aportar centenas de milhões de reais para retomar a operação”, relembra Lamb.

 

Retomada imediata com impacto social e econômico

Em agosto de 2024, a Lamb foi chamada para apresentar uma solução técnica para a recuperação da planta atingida pela enchente. Já no início de setembro, o contrato foi formalizado e a obra seguiu um cronograma considerado inédito para sua complexidade, garantindo 100% das bases de montagem das linhas de produção finalizadas e entregues já em dezembro de 2024, permitindo a retomada fabril em tempo recorde. A entrega integral da obra ocorreu em junho de 2025.

Segundo Lamb, um projeto dessa magnitude levaria normalmente até 13 meses, combinando fase executiva e de obras. Ou seja, quase o dobro do tempo efetivamente realizado. “Era um cenário de absoluta destruição e bastante tristeza. Conseguimos entrar lá quase 40 dias depois, quando as águas já tinham baixado, mas havia ainda muita lama, caliça e coisas quebradas”, relata o engenheiro. “O desafio foi gigante. Afinal, a nossa missão era recolocar de pé aquela operação com a maior brevidade possível.”


Engenharia de alta performance: soluções complexas em terreno instável

A fim de prover solução técnica eficiente e segura diante das condições geotécnicas do terreno – solo naturalmente alagadiço e com camadas instáveis de até 30 metros de profundidade – e das restrições físicas do espaço, a Lamb Engenharia contratou três consultores especialistas em fundações e desenvolveu um laudo técnico detalhado de análise do solo, que serviu de base para a definição da estratégia construtiva.

 

Entre as soluções técnicas aplicadas, cabe destacar:
  • Duas soluções de fundação distintas, adequadas de acordo com as exigências de cada área da planta: estacas metálicas cravadas para áreas com pé-direito reduzido e base de equipamentos e estacas do tipo hélice contínua segmentada para as áreas de piso industrial;
  • Para garantir a segurança da solução, cinco provas de carga estática (PCE), dez dinâmicas (PDA) e ensaios PIT (integridade) em 100% das estacas executadas;
  • Execução de 12 mil m² de pisos estaqueados capazes de suportar cargas de até 5,5 toneladas/m²;
  • Bases específicas para seis linhas de produção e instalação de 22 robôs industriais.

 

O planejamento seguiu metodologia Lean Construction, com projetos desenvolvidos simultaneamente à execução para acelerar a retomada. A obra envolveu mais de 300 profissionais. A logística deslocava trabalhadores diariamente de 15 cidades da Região Metropolitana, com sete vans e suporte de mobilidade. Mesmo com a fábrica retomando suas operações durante as obras, nenhum acidente com afastamento foi registrado, resultado de protocolos rigorosos e ações contínuas de prevenção e capacitação.

 

Projeto com impacto triplo: econômico, social e comercial

A reconstrução preservou centenas de empregos diretos e indiretos, garantiu a permanência de um dos principais polos industriais da Zona Norte de Porto Alegre, assegurou contribuição tributária e movimentação logística fundamentais para a economia do Estado, simbolizou a capacidade de reação do setor produtivo após a maior tragédia climática do Rio Grande do Sul.

“Ficamos muito honrados, porque a Coca-Cola, que já é um cliente que atendemos há 20 anos, acreditou em nosso trabalho, em nossa competência técnica e operacional, o que foi muito importante. E eles não só confiaram, como nos apoiaram ao longo do processo, para resolver as diferentes situações que surgiram. Da nossa parte, sempre tivemos a certeza de que tudo o que afirmávamos que faríamos seria efetivamente realizado”, ressalta Lamb.

 

Amplamente destacada por veículos regionais e nacionais, a reabertura da fábrica contou com a presença de autoridades, incluindo a do presidente em exercício Geraldo Alckmin e a do governador Eduardo Leite. Mario Cesar Schafaschek, diretor de supply chain da FEMSA Brasil, resumiu o feito: “Reconstruímos uma planta inteira em dez meses. Isso não tem paralelo no mundo”.

Ao ser reconhecido e premiado pela 28ª edição do Sinduscon Premium, o case torna-se agora referência nacional em recuperação de plantas industriais pós-desastres, demonstrando como engenharia, gestão integrada e mobilização ágil podem garantir a continuidade de operações essenciais mesmo em cenários extremos. Para a Lamb Engenharia, o projeto reforça sua expertise em obras industriais de alta complexidade e consolida seu papel estratégico na reconstrução da infraestrutura gaúcha.

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Fotos: Vitor Rosa-Secom-Governo do RS, Zaikowskii, imagens aéreas, Lamb Engenharia

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