Quase metade dos brasileiros ainda pretende comprar um imóvel nos próximos anos. No entanto, um número menor de famílias está efetivamente procurando imóveis para adquirir.
A constatação faz parte de uma pesquisa realizada em março de 2026 pela Brain Inteligência Estratégica com 1.500 entrevistados em todo o país.

Segundo o levantamento, 48% dos brasileiros mantêm a intenção de comprar um imóvel nos próximos 36 a 48 meses. O percentual permanece praticamente estável em relação ao ano anterior. Por outro lado, a parcela das famílias que está visitando imóveis, loteamentos ou empreendimentos caiu de 6% para 4%, uma redução de 33%.

Em entrevista ao Imóvel Capital, Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica, afirma que a queda da procura ativa reflete a dificuldade de transformar o desejo de compra em uma decisão efetiva de aquisição.
“O que a gente identificou numa pesquisa com 1.500 pessoas realizadas agora em março de 2026? Nós identificamos que a vontade de comprar imóvel continua no mesmo patamar da média do ano passado, ou seja, 48% das pessoas com vontade de comprar imóvel nos próximos 36 a 48 meses.”

O executivo destaca que a queda ocorre justamente entre aqueles consumidores que já entraram na fase de procura ativa.
“Porém, aquelas pessoas que estão fisicamente buscando imóvel, visitando imóveis usados, novos, loteamentos, apartamentos, houve uma redução de 6% do total das famílias para 4% das famílias, uma queda de 33%.”
Desejo permanece, mas compra fica mais difícil
A pesquisa mostra que o interesse pela aquisição de imóveis continua elevado em diferentes faixas etárias e de renda.
Além disso, os jovens seguem liderando a intenção de compra. O levantamento contraria a percepção de que a nova geração teria abandonado o sonho da casa própria.

Durante a apresentação dos dados, Araújo afirmou que a Geração Z permanece como o grupo com maior intenção de compra de imóveis no Brasil. Segundo ele, o principal obstáculo não é a falta de interesse, mas a dificuldade financeira para transformar esse desejo em aquisição efetiva.
Porém, a conversão desse desejo em compra encontra obstáculos cada vez maiores.
Segundo Araújo, fatores como endividamento e dificuldade financeira começam a reduzir a quantidade de consumidores que avançam para as etapas finais da jornada de compra.
“O que isso retrata, portanto? Que, embora a vontade esteja muito intensa, a dificuldade econômica do endividamento começa a pesar no bolso e, na prática, menos pessoas estão procurando um imóvel.”
Nesse contexto, o mercado passa a conviver com uma demanda potencial elevada, mas com uma demanda ativa mais restrita.
Locação ganha espaço no mercado
Outro dado relevante da pesquisa aponta para o crescimento da intenção de locação.
Atualmente, 21% dos entrevistados afirmam que pretendem alugar um imóvel nos próximos meses.
De acordo com o Fábio, esse movimento está relacionado à dificuldade crescente de acesso à compra, especialmente em um cenário de maior pressão financeira sobre as famílias.

Com isso, a locação deixa de ser apenas uma alternativa temporária e passa a disputar espaço diretamente com o mercado de venda de imóveis.
Araújo chamou a atenção para o fato de que a concorrência das incorporadoras já não está restrita a outros empreendimentos.
Segundo ele, o aluguel passou a disputar diretamente a decisão do consumidor, especialmente nas grandes cidades e entre famílias que enfrentam dificuldades para acessar o crédito ou acumular recursos para a entrada.
Menos pessoas entram no funil de vendas
A redução da busca ativa também produz impactos diretos sobre as estratégias comerciais do setor.
Quando menos consumidores visitam imóveis, o volume de potenciais compradores que ingressa no funil de vendas diminui.
Consequentemente, a concorrência pelos clientes que efetivamente estão buscando um imóvel tende a aumentar.
“Significa que tem menos pessoas em que você vai disputar o mercado com seus concorrentes de incorporação e loteamento. A boca do funil, o início do funil, tem menos pessoas entrando. A luta lá no final do funil torna-se mais difícil.”
Na avaliação do executivo, o desafio atual do mercado imobiliário não está relacionado à falta de interesse dos consumidores.
A principal questão passa a ser a capacidade de transformar intenção de compra em aquisição efetiva.
Mercado busca alternativas para ampliar o acesso
Diante desse cenário, empresas do setor vêm adotando estratégias para tornar a compra mais viável.
Uma delas é o alongamento dos ciclos de pagamento durante a fase de obras, permitindo que o comprador tenha mais tempo para formar poupança e acumular recursos para a entrada.

Segundo Araújo, em diversos mercados do país já é possível observar empreendimentos sendo comercializados com prazos mais extensos de pagamento, especialmente em segmentos de médio e alto padrão.
Além disso, cresce a importância de produtos alinhados à capacidade financeira das famílias e às novas dinâmicas de consumo.
Para incorporadoras, loteadoras e investidores, os dados reforçam a necessidade de compreender não apenas o desejo de compra, mas também os fatores que impedem parte dos consumidores de avançar na jornada de aquisição.
Embora a intenção de compra permaneça elevada, os números indicam que a disputa pelos compradores ativos deve continuar sendo um dos principais desafios do mercado imobiliário nos próximos meses.
Estratégias locais ganham importância
A redução da procura ativa também reforça a necessidade de um conhecimento mais profundo dos mercados regionais.
Segundo Fábio Tadeu Araújo, não existe atualmente um produto imobiliário capaz de atender de forma uniforme todas as regiões do país.
“Você precisa compreender o mercado da sua cidade e da sua região. É difícil estabelecer no Brasil qual é o tipo ideal de imóvel. Você tem que olhar a tua realidade local.”
O executivo cita como exemplo a procura por imóveis compactos voltados ao investimento.
Segundo ele, esse tipo de produto representa cerca de 25% da demanda em São Paulo, mais de 30% em Porto Alegre, acima de 35% em Curitiba e supera 40% em cidades como Florianópolis e João Pessoa.
Para o especialista, incorporadoras devem evitar mudanças frequentes de posicionamento motivadas por oscilações de curto prazo.
“Só mude a sua estratégia de posicionamento e segmentação se você quiser fazer uma mudança de médio e longo prazo.”
Sobre a Brain Inteligência Estratégica
A Brain Inteligência Estratégica atua há mais de duas décadas no mercado brasileiro de inteligência e pesquisa imobiliária.
Segundo informações apresentadas pela empresa, a Brain já realizou estudos em mais de mil cidades brasileiras, atuando nos 27 estados da federação. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu mais de 9.200 estudos voltados a diferentes segmentos imobiliários, incluindo empreendimentos residenciais, loteamentos, logística, hotelaria, shopping centers, multipropriedade, imóveis de praia e de campo.
A companhia também mantém o GeoBrain, plataforma de monitoramento do mercado imobiliário que acompanha lançamentos, vendas, estoques e preços em mais de 350 cidades do país.
Atualmente, a base da empresa reúne informações de mais de 18 mil incorporações em comercialização, representando cerca de 650 mil unidades disponíveis para venda e um estoque estimado em R$ 430 bilhões.
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CRÉDITOS
Foto e gráficos: Divulgação / Brain Inteligência Estratégica
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