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TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Experiências imersivas impulsionam o mercado imobiliário

O mundo físico está atravessando uma revolução silenciosa. À medida que a tecnologia se torna invisível e a experiência, central, os stands de vendas deixam de ser apenas lugares — passam a ser ambientes vivos, que emocionam, comunicam e criam vínculos. Essa é a fronteira em que o mercado imobiliário, o varejo e a arquitetura corporativa começam a se encontrar: o ponto em que a venda se transforma em vivência, e o espaço, em narrativa.

A Even, com o projeto Faena São Paulo, construiu uma das maiores salas de imersão da América Latina

A mudança é profunda. O mercado vive sua própria “quarta revolução industrial”, marcada pela união entre neuromarketing e marketing multissensorial. É a aplicação da neurociência para entender como os sentidos influenciam a tomada de decisão. A visão, o som, o tato, o olfato e até o paladar entram em cena para despertar respostas físicas e emocionais que o cérebro processa em milissegundos — muito antes do raciocínio lógico.

“A decisão de compra não acontece só na razão. Ela acontece no corpo inteiro”, explica Cássio Carvalho, sócio da Neorama, empresa brasileira pioneira na criação de experiências imersivas que unem tecnologia, narrativa e emoção. “O tempo de espera entre fechar negócio e receber o produto – no caso um apartamento – quase sempre é um tempo longo no mercado imobiliário. Neste aspecto o percurso imersivo funciona com uma máquina do tempo emocional, em que o espectador é transportado para o futuro e consegue ter uma projeção muito potente da futura realidade naquele lugar.  Quando a pessoa sente o som, a textura, o aroma e a atmosfera do futuro lar dela, ela já vive emocionalmente o espaço antes de comprá-lo. E isso muda tudo.”

O resultado dessa transformação é tangível. Atualmente, a Neorama conta com 24 salas imersivas ativas, as quais foram desenvolvidas para 12 clientes no país, movimentando aproximadamente mais de R$ 20 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV).

 

A Even, por exemplo, com o projeto Faena São Paulo, construiu uma das maiores salas de imersão da América Latina, com projeção mapeada e imersão 270 graus. “O cliente chega preparado para vivenciar o universo Faena, e já se reconhece dentro do empreendimento pelo aspecto transformacional e o componente cultural que o nome Faena carrega. A sala de imersão proporciona uma experiência sensorial única do projeto e seus diferenciais.”, afirma João Paulo Laffront, Diretor de Incorporação da Even.

 

Já a Melnick, em Porto Alegre, registrou grande impacto: dados da ferramenta de Business Intelligence (BI) mostram que o stand de vendas do Cidade Nilo, com a experiência Universo Nilo, recebeu 1.649 visitas nos três primeiros meses de implantação — um aumento de 708% em relação a outros empreendimentos sem experiência imersiva. Já a sala de experiência do empreendimento Square Garden registrou 1.837 visitantes no mesmo período, alcançando um número recorde de visitações.

O Corredor de Descompressão do Cidade Nilo, da Melnick, é um espaço que estimula quatro sentidos — sons da natureza, aromas de bosque, o toque da brisa e uma iluminação imersiva —, desconectando o morador do ritmo da rua e preparando-o para uma experiência multissensorial única

O CFO Juliano Melnick explica que a experiência imersiva deixou de ser um diferencial para se tornar parte fundamental do mercado. “Hoje, a experiência é essencial nos estandes de venda, independentemente do padrão do empreendimento. Ela ajuda a trazer clientes para o estande e melhora a conversão, porque tangibiliza o produto e ativa o lado emocional da decisão”, afirma. No caso do Cidade Nilo, segundo ele, houve uma transformação: “A experiência deixou de ser uma preparação para o atendimento e passou a ser o próprio atendimento. Todo o processo acontece dentro da sala imersiva, em escala real, integrando apresentação, narrativa e negociação.”

 

Sala de cinema 360º com acústica de alta performance, som espacial, projetores e uma maquete interativa que ganha vida. Tudo sincronizado entre luz, imagem e movimento para envolver o visitante em cada detalhe da apresentação

Somados, os indicadores revelam um movimento consistente no país – números que já reposicionam a imersão como estratégia de resultado. “A imersão se tornou uma alavanca real de negócios. Quando um empreendimento cria uma experiência que engaja o cliente emocionalmente, o ciclo de decisão encurta, o valor percebido aumenta e toda a jornada comercial se qualifica”, afirma Márcio Carvalho, sócio da Neorama. “Os dados são consistentes: stands com salas imersivas atraem mais público, geram leads mais preparados e elevam a conversão. No fim do dia, isso significa produtividade comercial, VGV ampliado e mais competitividade para as incorporadoras.”

 

Essa revolução tem efeitos econômicos diretos. Ao tornar o processo de compra mais sensível e engajador, as experiências imersivas aumentam o fluxo de vendas, reduzem o ciclo de decisão e ampliam o valor percebido do produto. No Kempinski Laje de Pedra, em Canela (RS), a estratégia de transformar o antigo hotel em um centro de experiências multissensoriais levou o valor do metro quadrado a ultrapassar R$ 80 mil, com 350 sessões de exibição mensais atraindo visitantes interessados em viver a marca antes mesmo da reabertura. O projeto recebeu o Top de Marketing 2025 da ADVB/RS, consolidando-se como exemplo de como a emoção agrega valor real ao negócio.

 

O movimento não para nas fronteiras brasileiras. Em setembro de 2025, o Mercer Labs – Museum of Art and Technology, em Nova York, foi palco de uma narrativa sensorial que apresentou ao mundo o Bioplanning, conceito global criado por Dror Benshetrit, do Supernature Labs, que propõe cidades em harmonia com os sistemas naturais da Terra. A jornada imersiva — exibida em uma sala de nove metros de altura com som espacial e projeções sincronizadas — traduziu ciência urbana em emoção. “Ver líderes como da Goldman Sachs e AECOM reagirem com interesse e com sentimento, foi marcante. É uma honra para nós utilizar a inovação e a inteligência de mercado brasileira para um propósito mundial”, conta Cássio Carvalho, sócio da Neorama.

O impacto dessas iniciativas revela que o Brasil vive um momento de protagonismo no cenário internacional da inovação imobiliária e tecnológica. As experiências imersivas, que unem arte, tecnologia e neurociência, impulsionam o setor e reposicionam como vetor de desenvolvimento econômico e cultural. Movimentando bilhões em VGV e gerando empregos diretos e indiretos, esse modelo está redesenhando toda a cadeia produtiva da construção civil e da incorporação.

O foco transcende a criação de ambientes: a essência está na aplicação do Neuromarketing para a construção de jornadas completas e multissensoriais, planejadas estrategicamente para envolver o público desde o primeiro contato até o fechamento do negócio. A Neorama atua nesse contexto como parceira de pensamento estratégico, cocriando com seus clientes o percurso que cada pessoa fará dentro de uma experiência. É uma metodologia visionária que parte da história e dos atributos do empreendimento para desenhar a narrativa que transforma percepção em desejo e desejo em decisão. “O que criamos não é um produto. É um processo. É uma forma de pensar o espaço como um organismo vivo, onde cada etapa da jornada está conectada ao propósito da marca e à emoção do visitante”, define Cássio Carvalho.

O futuro do mercado imobiliário é hoje. E ele fala com todos os sentidos — convidando empresas e pessoas a experimentar uma nova forma de viver, comunicar e construir o espaço.

 

Fotos: divulgação/Neorama
Vídeos: Supernature Labs, Melnick e Neorama

 

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