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MERCADO

Caio Coppolla vê juros em queda mais provável com troca de governo

A construção civil gaúcha ouviu, nesta segunda-feira (19), uma leitura de fora para dentro sobre o próprio momento. Na Reunião Almoço do Sinduscon-RS, em Porto Alegre, o comentarista Caio Coppolla apresentou sua visão sobre o cenário político e econômico do país e sobre o rumo dos juros.

1. Caio Coppolla projeta juros em queda com troca de governo

O presidente da entidade, Rafael Garcia, abriu o encontro citando os desafios que o setor enfrenta, como juros elevados, custo dos insumos, falta de mão de obra, fim da escala 6X1 e reforma tributária, e lembrando que a construção responde por mais de 140 mil empregos diretos no Rio Grande do Sul. Claudio Teitelbaum, vice-presidente da Fiergs, destacou o peso da construção na economia, ao lembrar que o setor puxa mais de 90 cadeias produtivas.

 

Política fiscal e juros no centro da incorporação

Em entrevista ao Imóvel Capital, Coppolla foi questionado sobre o que muda na prática para a incorporação imobiliária com Lula ou Flávio Bolsonaro na presidência.

Ele respondeu que o efeito mais direto está na saúde fiscal. Lembrou que a PEC da transição, no início do atual governo, criou uma margem fiscal de cerca de R$ 200 bilhões, o que associou a uma mentalidade de expansão de gastos.

Em caso de vitória da oposição em 2026, de acordo com ele, o caminho seria o inverso, com a intenção de cortar R$ 250 bilhões em despesas ou conciliar esse valor com receitas extraordinárias.

Nesse contexto, o comentarista afirmou:

“A probabilidade de uma curva de juros descendente com a troca de governo é muito maior”.

Ele citou como sinalizações o corte de cargos, ministérios e privilégios, a busca por eficiência, a digitalização e uma gestão melhor do estoque imobiliário da União. Com isso, na avaliação dele, o setor tende a se beneficiar, pois o crédito facilitado favorece a construção tanto do lado produtivo quanto do lado dos clientes. Ele ressalvou que, independentemente do vencedor, o desejo é que “a saúde fiscal do país melhore”.

 

Confiança na mudança de governo

Na palestra, Coppolla reforçou o otimismo com a alternância de poder.

“Eu ainda estou bastante confiante em que haverá mudança, porque todos os números sugerem isso”, disse.

Ele citou pesquisas de avaliação do governo, nas quais, segundo sua leitura, a desaprovação supera a aprovação. O segundo turno ocorre em 25 de outubro; no primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo o TSE.

Coppolla também sustentou que o crescimento do país entre 2003 e 2016 ficou abaixo das médias global, latino-americana e da OCDE. Para ele, o país não precisa “caminhar em direção ao futuro”, mas deixar de andar para trás, e as vantagens competitivas brasileiras já estão à mão.

 

Energia renovável e a demanda por infraestrutura

O comentarista afirmou que o modelo baseado em combustíveis fósseis perde espaço diante do avanço do processamento de dados, que exige energia abundante e barata. Segundo ele, o Brasil seria a única grande economia com mais de 85% da matriz energética livre e renovável. Citou ainda a Margem Equatorial, que poderia recolocar o país como exportador de combustível em menos de uma década.

Coppolla destacou o armazenamento em baterias como solução para a geração solar e eólica que, em sua estimativa, em torno de 20% não consegue ser injetada na rede. Esse conjunto, para ele, cria condições para o país se tornar polo de data centers e grande exportador de energia.

 

Segurança alimentar e agro

No segundo eixo, Coppolla definiu o Brasil como “um pequeno importador de calorias e um grande exportador de calorias”. Disse que o país importa cerca de 6% das calorias que consome, principalmente trigo, e que teria capacidade de dobrar a produção em menos de uma década.

Como exemplo de produtividade, mencionou que as 100 maiores fazendas leiteiras do país teriam crescido 400% em cinco ou seis anos. A posição de fornecedor de alimentos pode tornar o Brasil, em sua avaliação, um “elemento equalizador da política internacional”.

 

Minerais estratégicos e infraestrutura

O terceiro eixo foram os minerais usados em componentes eletrônicos e chips para inteligência artificial. Coppolla disse que o Brasil ocupa a segunda posição em volume dessas reservas, atrás da China, e o descreveu como democracia liberal fornecedora desses insumos.

Aproveitar esse potencial depende de infraestrutura, segundo ele, que citou a ferrovia entre Sinop (MT) e um porto no Pará, paralisada por cerca de cinco anos por decisão judicial. A obra seria financiada integralmente por capital privado, na área de servidão da BR-163.

 

Turismo, produtividade e endividamento

Coppolla também apontou o turismo como vocação ainda pouco explorada. Disse que o Brasil recebe cerca de 9 milhões de turistas por ano e que o Rio de Janeiro teria potencial para atrair entre 40 e 50 milhões, ante 20 a 25 milhões de Barcelona.

Sobre produtividade, afirmou que, com exceção do agro, nenhum setor teve ganho relevante neste século. De acordo com ele, o trabalhador brasileiro produzia 46% do equivalente norte-americano nos anos 1980, proporção que hoje seria de 24%. Ele criticou a redução de jornada com manutenção de salário, que, em sua avaliação, tende a elevar custos e preços.

Ao tratar das famílias, citou mais de 80 milhões de brasileiros negativados, com dívidas em torno de R$ 592 bilhões, e disse que os programas de renegociação alcançam uma parcela pequena desse total.

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CRÉDITOS
Foto: Imóvel Capital
Assessoria de Comunicação: Luciane Costa Zitto

SERVIÇO
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Endereço: Rua Augusto Meyer, 146 – Auxiliadora – Porto Alegre (RS)
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