ANÚNCIO

ARQUITETURA & URBANISMO

Hype Studio: repertório e decisões de projeto no Ronald 42

Cada terreno impõe sua própria equação de variáveis: orientação solar, ventilação, visuais, fluxos e as necessidades de quem vai morar no empreendimento. Interpretar essas condicionantes e transformá-las em decisões de projeto é um dos principais desafios do desenvolvimento imobiliário. Nesse contexto, o repertório construído em diferentes tipologias arquitetônicas se torna relevante.

Fernando Balvedi

Para a Hype Studio, esse repertório não se resume a soluções prontas. Segundo Fernando Balvedi, sócio do escritório, a experiência acumulada em projetos corporativos, institucionais e esportivos amplia a capacidade de ler problemas, relacionar condicionantes e adaptar aprendizados a novos contextos — inclusive ao mercado residencial.

Ronald 42, empreendimento da AB Incorporadora

O Imóvel Capital conversou com Balvedi sobre como essa bagagem influencia decisões como implantação, conforto ambiental e integração com o entorno. Como estudo de caso, a entrevista analisa o Ronald 42, empreendimento da AB Incorporadora no bairro Bela Vista, em Porto Alegre, projetado pela Hype Studio.

 

DIFERENTES EXPERIÊNCIAS NA INTERPRETAÇÃO DOS DESAFIOS

1. O desenvolvimento imobiliário envolve decisões complexas relacionadas ao terreno, ao entorno, ao projeto e às necessidades dos usuários. Como diferentes experiências arquitetônicas contribuem para interpretar esses desafios?

As diferentes experiências ampliam a nossa capacidade de leitura dos problemas que nos são apresentados. Cada tipologia, cada escala e cada uso possuem desafios únicos e distintos. Isso nos ajuda a aprimorar nosso repertório arquitetônico.

O desenvolvimento imobiliário costuma iniciar com a necessidade do incorporador em relação ao seu terreno: por conta de uma série de fatores, a intenção de qual produto será incorporado costuma vir formatada pelo cliente.

Nesse momento, o repertório formado nos auxilia na análise das condicionantes e na proposição de soluções. Observamos o lugar, o sol, a ventilação natural, as visuais, os fluxos, entre outros tantos fatores, e buscamos a melhor resposta para o projeto.

 

2. A atuação em diferentes tipologias permite acumular soluções e aprendizados distintos. Quais conhecimentos adquiridos em projetos corporativos, institucionais ou esportivos podem qualificar empreendimentos residenciais?

Uma das crenças que temos na Hype Studio é justamente a de buscar desenvolver tipologias e usos bastante distintos porque estaremos sempre aprendendo coisas novas, e aprendendo coisas novas teremos a oportunidade de inovar e surpreender em nossos projetos.

Acho que uma forma sucinta de responder essa questão é essa: o principal conhecimento é que, seja um edifício residencial, uma sede de empresa ou uma instalação esportiva, devemos projetar sempre pensando em como o usuário final fará o melhor uso possível do espaço.

Alguns projetos exigem flexibilidade, outros exigem eficiência, outros exigem uma funcionalidade operacional enorme. Tudo isso também ajuda a montar repertório e dar a melhor resposta que enxergamos no produto imobiliário.

 

A EQUAÇÃO POR TRÁS DAS DECISÕES DE PROJETO

3. Cada empreendimento possui características próprias, determinadas pelo terreno, pela localização e pelo público. Como esse repertório ajuda a transformar condicionantes em oportunidades de projeto?

De uma maneira geral, o repertório nos auxilia no que gosto de chamar de montagem da equação. Temos uma grande equação para resolver, com inúmeras variáveis, como lugar, clima, topografia, vizinhança, sol, visuais, etc. O repertório nos auxilia a enxergar essas condicionantes como um grande potencializador das soluções. Alguns dos nossos melhores projetos têm respostas a problemas que pareciam tão desafiadores que, quando a solução é apresentada, ela parece tão bem fundamentada que é difícil discordar.

 

4. Existe algum conceito presente em projetos corporativos, institucionais ou esportivos que ainda poderia ser mais explorado pelo mercado imobiliário residencial brasileiro?

Talvez a flexibilidade e adaptabilidade dos espaços. Em projetos corporativos ou esportivos lidamos com diferentes públicos, diferentes intensidades de uso e a possibilidade de grandes transformações ao longo do tempo. Alguns nichos do mercado imobiliário já experimentam demandas semelhantes por conta de novas composições familiares e novas tecnologias que permitem que as pessoas fiquem mais tempo em casa. A arquitetura precisará dar resposta a essas questões de forma ampla.

 

RONALD 42: DECISÕES ORIENTADAS PELO TERRENO E PELO ENTORNO

Ronald 42, empreendimento da AB Incorporadora

 

5. Todo empreendimento possui condicionantes específicos. Quais foram os principais desafios apresentados pelo terreno e pelo entorno do Ronald 42, e como eles orientaram o desenvolvimento do projeto?

O terreno era amplo, o que sempre ajuda, mas fica situado num entorno bastante denso. A implantação nasceu da busca pelas melhores condições de conforto para os futuros moradores: sol, vento, vistas abertas. Há prédios bem altos no entorno consolidado que nos indicavam alguns caminhos. O terreno possui uma frente para uma rua sem saída, então a orientação do empreendimento como um todo nessa direção se tornou uma decisão bastante óbvia também.

 

6. Quais escolhas relacionadas à implantação do edifício contribuíram para potencializar atributos como orientação solar, paisagem, privacidade e integração com o entorno?

O Ronald 42 fica num terreno muito especial: grandes dimensões, duas testadas para ruas importantes do bairro, uma grande exposição leste e norte, vista, entre outros atributos. Nossas principais decisões foram sempre buscando que o empreendimento, além de fazer bom uso da rua sem saída, se mantivesse conectado ao seu entorno. Nossa implantação também evidencia a busca pelo melhor sol e as melhores visuais para os moradores.

 

QUANDO O PERCURSO TAMBÉM FAZ PARTE DO PROJETO

Ronald 42, empreendimento da AB Incorporadora

 

7. No Ronald 42, o acesso acontece por meio do jardim, criando uma sequência entre paisagem, hall e áreas comuns. Como essa decisão contribui para a experiência de quem utiliza o empreendimento?

O acesso ao prédio foi pensado dessa forma porque o trajeto dentro do hall, por conta da implantação do edifício, é relativamente longo. Pensamos que esse trajeto deveria ser o mais agradável possível. Nossa decisão foi transformar esse hall num pequeno bosque urbano, com vegetação farta e densa. Um mini oásis. De novo, a melhor experiência possível para os usuários.

 

8. Ao analisar o empreendimento concluído, qual decisão de projeto melhor representa a busca por integrar arquitetura, contexto urbano e experiência dos moradores?

Implantar o empreendimento com frente para a rua sem saída nos ajudou a integrar o edifício ao bairro, sem abrir mão da qualidade e da privacidade dos moradores. Por ser um local calmo e relativamente fácil de controlar, conseguimos uma boa relação do edifício com o espaço urbano.

—–

SERVIÇO
Projeto: Hype Studio Arquitetura
Site: hypestudio.com.br
Instagram: @hypestudioarq
Endereço: R. da República, 358 – Cidade Baixa – Porto Alegre (RS)
Fotos: Divulgação / Imagens ilustrativas

Equipe que trabalhou no projeto:
Maurício Santos, Thomaz Dufau, Matheus Dimer, Naiara Forneck, Nicole Drumm, Eduarda Schwalm

Ronald.42
Incorporação: AB Incorporadora
Site: www.abincorporadora.com/ronald42
Endereço: Ronald de Carvalho, 42 – Bela Vista – Porto Alegre (RS)

Siga o Imóvel Capital no Instagram

VEJA TAMBÉM:

IMG_8366_1080
Industrialização na construção reúne o setor em Porto Alegre
Sinduscon-RS e AsBEA-RS promovem quarta edição de seminário sobre sistemas construtivos.
Fernando Balvedi, Hype Studio
Hype Studio: repertório e decisões de projeto no Ronald 42
Fernando Balvedi mostra como diferentes experiências ajudam a interpretar condicionantes de projeto
Alain Bertaud analisa o futuro do mercado imobiliário com mudanças na população
Alain Bertaud: o desafio imobiliário de uma nova realidade demográfica
Ex-urbanista-chefe do Banco Mundial analisa como mudanças na população podem criar novos mercados.
ABC_1080-2
Embralot chega a Blumenau em ano de VGV de R$ 2,1 bi no estado
Incorporadora catarinense projeta seis lançamentos e amplia presença no Vale do Itajaí em 2026.
ANÚNCIO