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MERCADO

Sinduscon-RS discute cenário econômico e político para 2026

O Imóvel Capital esteve presente na tradicional reunião-almoço do Sinduscon-RS, realizada em 13 de abril, que reuniu empresários, incorporadores e lideranças da construção civil para discutir um tema central para o planejamento do setor: o cenário político e econômico e as projeções para as eleições de 2026. Em um ambiente marcado por juros ainda elevados, pressão de custos e incertezas institucionais, o encontro trouxe leituras que convergem para uma mesma conclusão: há espaço para crescimento — mas com maior seletividade, cautela e estratégia.

Sinduscon RS | Reunião Almoço
Da esquerda para a direita, Giovani Baggio, Claudio Teitelbaum e Ricardo Gomes, durante a reunião-almoço do Sinduscon-RS – Foto: Carol Negreiro

Com análises do economista-chefe do Sistema Fiergs, Giovani Baggio, e do CEO do Instituto Millenium, Ricardo Gomes, o evento reforçou que o próximo ciclo de investimentos imobiliários será menos impulsivo e mais dependente de leitura macroeconômica qualificada.

Na abertura, o presidente do Sinduscon-RS, Claudio Teitelbaum, destacou os principais vetores de atenção para o setor: juros elevados, reforma tributária, debates sobre jornada de trabalho e o impacto de conflitos internacionais nos custos de insumos. O dirigente salientou ainda que o Sinduscon-RS aderiu à mobilização nacional liderada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), para monitoramento do INCC — um movimento que evidencia a preocupação crescente com a previsibilidade de custos.

 

Cenário econômico: crescimento sustentado, mas com fragilidade estrutural

Sinduscon RS | Reunião Almoço
Giovani Baggio durante apresentação sobre o cenário econômico e seus impactos no setor da construção civil

A leitura apresentada por Giovani Baggio trouxe um diagnóstico direto: o setor entra em 2026 sustentado por estímulos, porém pressionado por custos e riscos macroeconômicos relevantes.

O cenário global segue como um dos principais fatores de instabilidade. Tensões geopolíticas — como a guerra na Ucrânia, conflitos no Oriente Médio e disputas comerciais — mantêm elevada a incerteza e impactam diretamente energia, combustíveis e insumos industriais. Para a construção civil, isso se traduz em pressão contínua sobre custos.

No Brasil, esse movimento é potencializado por distorções internas. O diesel, por exemplo, apresenta defasagem de até 39% em relação ao mercado internacional, o que indica uma pressão de alta ao longo do tempo, com impacto direto nos custos de obras, logística e operação.

No campo monetário, o ambiente é ambíguo. Há expectativa de possível redução da taxa de juros, mas acompanhada de incerteza inflacionária e pressão externa. Na prática, isso significa que o crédito pode até melhorar, mas com volatilidade — exigindo mais prudência nas decisões de investimento.

O principal ponto de atenção, no entanto, é o fiscal. A projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, de que a dívida pública brasileira possa atingir cerca de 100% do PIB até 2030, reforça um cenário de juros estruturalmente mais altos e menor previsibilidade econômica. Segundo Baggio, esse é o problema central da economia brasileira — e a origem de diversas outras distorções.

Apesar disso, a atividade econômica deve seguir sustentada no curto prazo. Programas de estímulo — como expansão do crédito, isenção de imposto de renda e investimentos no Minha Casa Minha Vida — podem adicionar até 0,6 ponto percentual ao PIB em 2026. Isso mantém a demanda ativa, ainda que com dependência relevante do Estado.

No setor da construção, o reflexo já aparece: crescimento mais moderado (0,5% no Brasil e 0,3% no RS em 2025), pressão de custos (INCC em 5,8% em 12 meses, com destaque para mão de obra a 9%) e margens comprimidas.

Por outro lado, há vetores positivos claros. A ampliação do crédito imobiliário — com redução de compulsório e aumento do teto do SFH — e a expansão do Minha Casa Minha Vida, especialmente com a criação da Faixa 4, fortalecem o acesso da classe média ao financiamento e sustentam o mercado.

Em resposta direta ao Imóvel Capital, Giovani Baggio destacou a estratégia para incorporadoras diante desse cenário:

“Com bom planejamento, é possível encontrar oportunidades em qualquer cenário. Os imóveis de alto padrão têm tido desempenho mais contido, mas oferecem margens maiores. Além disso, esse público costuma ter mais recursos para investir, mesmo com juros altos. Já segmentos como o Minha Casa Minha Vida seguem mais aquecidos. No geral, o cenário macroeconômico é desafiador: juros elevados e aumento de custos pressionam o setor.”

O diagnóstico final é direto: há demanda, mas com qualidade mais frágil — sustentada por políticas públicas e não por fundamentos estruturais sólidos.

 

Cenário político: polarização exige cautela e foco no consumidor

Sinduscon RS | Reunião Almoço
Ricardo Gomes durante análise do cenário político e seus impactos nas decisões empresariais

Na análise política, Ricardo Gomes trouxe um alerta relevante para o ambiente empresarial: o Brasil segue em um cenário de forte polarização, mas com a presença de um terceiro grupo decisivo — os eleitores independentes.

Esse contingente, menos ideológico e mais pragmático, tende a definir o resultado das eleições de 2026, buscando propostas concretas relacionadas a emprego, renda, inflação, segurança e serviços públicos. Nesse contexto, a campanha eleitoral ganha peso estratégico e pode alterar significativamente o cenário ao longo do processo.

Para as empresas, especialmente incorporadoras, o principal recado é claro: cautela.

“O principal ponto é a cautela. Vivemos um cenário de incerteza com forte polarização, e um erro comum das empresas é adotar posicionamentos políticos como parte da sua comunicação ou narrativa de produto. Há exemplos recentes de marcas — de diferentes setores — que apostaram nessa polarização e acabaram perdendo mercado”, reforça Gomes

A recomendação é objetiva: evitar associações políticas diretas ou indiretas e manter o foco no mercado.

As empresas devem aprofundar a leitura do comportamento do consumidor, em vez de se orientarem por ideologias. A política deve ser analisada como variável de contexto — e não como direcionador de posicionamento.

 

Sinduscon-RS: informação como base para decisões mais assertivas

Sinduscon RS | Reunião Almoç
Claudio Teitelbaum na abertura da reunião-almoço do Sinduscon-RS, destacando os desafios e perspectivas do setor — Foto: Carol Negreiro

Na visão do presidente Claudio Teitelbaum, o momento reforça o papel institucional do Sinduscon-RS como agente de suporte estratégico ao setor.

Ele destacou o avanço do reconhecimento da construção civil dentro das entidades industriais, com maior protagonismo tanto na esfera estadual quanto nacional. Esse movimento reflete o peso econômico e social do setor, que, em Porto Alegre, responde por mais de 60% da arrecadação tributária municipal e gera dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos.

Teitelbaum reforçou o conceito da construção civil como uma “indústria de bem-estar social”, pelo seu impacto direto em desenvolvimento urbano, emprego e qualidade de vida.

Em resposta ao Imóvel Capital, o presidente reforçou a centralidade do ambiente macroeconômico para o setor:

“O setor é altamente dependente dessas variáveis, especialmente da taxa de juros e de fatores externos, como conflitos que impactam preços. Por isso, é fundamental manter os associados bem informados, para que possam planejar suas decisões com mais segurança.”

Ele também destacou o papel da entidade nesse contexto:

“Nosso papel é fornecer informação qualificada e visão estratégica. Eventos como este, com análises econômica e política, ajudam a dar subsídios para que os associados tomem decisões mais assertivas dentro dos seus negócios.”

 

2026: expandir ou esperar?

A pergunta que norteou o encontro não teve uma resposta única — mas trouxe uma direção clara.

O setor não está diante de uma retração, mas de uma mudança de comportamento.

Projetos seguem viáveis, especialmente com bom planejamento e posicionamento adequado de produto. Segmentos como o Minha Casa Minha Vida tendem a manter dinamismo, enquanto o alto padrão exige mais cautela, apesar de margens potencialmente maiores.

O que muda é o contexto: menos espaço para decisões impulsivas e maior necessidade de leitura integrada entre economia, política e comportamento do consumidor.

Em síntese, 2026 se desenha como um ano de oportunidades — mas para quem souber navegar em um ambiente mais complexo, seletivo e dependente de estratégia.

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Créditos:

Reunião Almoço Sinduscon-RS 2026

Apoio: Sistema FIERGS
Patrocínio master: Banrisul, Gerdau e Sulgás

 

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